quarta-feira, 25 de junho de 2014



CLARINDA DA COSTA SIQUEIRA (1818-1867)

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Série: Poetas do Passado Rio-Grandense

Poetisa. Natural de Rio Grande, RS, onde nasceu a 26 de dezembro de 1818 e faleceu na mesma cidade em 27 de outubro de 1867.
Pouco se sabe sobre a biografia de Clarinda da Costa Siqueira. Seu único  livro, póstumo,  “Poesias”, (Pelotas, Livraria Americana, 1881). Contem, além das poesias da autora, uma  necrologia escrita por Antônio  Joaquim Caetano da Silva Junior e uma homenagem à autora, escrita por Carlos von Koseritz.  Fazem referência ao livro Guilhermino Cesar, Sacramento Blake, Mário Osório Magalhães e Rita Scmidt.
Clarinda foi engeitada por sua mãe e criada por Leonarda Joaquina  dos Passos e Maria das Dores Passos. Casou-se, aos 17 anos, com José da Costa Siqueira. No mesmo dia do casamento Clarinda caiu enferma gravemente, declara em sua necrologia Antônio Joaquim.  Também Koseritz refere-se à doença da poetisa, e nada mais se sabe sobre o assunto.
Nota – Colimério Leite de Faria Pinto escreveu – Traços biográficos de Clarinda da Costa Siqueira.  (ver Guilhermino Cesar, Hist. da Literatura do RS, p.311)
Bibliografia
BLAKE, Augusto Victorino Alves do Sacramento. Dicionário bibliographico brasileiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1900. Reimpressão fac-símile, 1970.
CÉSAR, Guilhermino. História da literatura do Rio Grande do Sul. (1773 – 1902). Porto Alegre: Globo, [s.d.]
MAGALHÃES, Mário Osório. Opulência e cultura na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul: um estudo sobre a história de Pelotas (1860-1890). Pelotas: EDUFPel, 1993.
MUZART, Zahide Lupinacci. Escritoras brasileiras do século XIX. Florianópolis: Mulheres, 2000.
Referências
*Cartas de Liberdade (Internet,  em PDF)
*Jornal Eco do Sul, 30 de outubro de 1857, nº 247, ano 13
*Jornal O Comercial, 27 de novembro de 1867, nº 273, ano 11


Propaganda do único livro publicado por Clarinda:  POESIAS - Pelotas:Liv. Americana, 1881
Grande parte de suas poesias encontram-se ainda esparsas em jornais e almanaques do século XIX.

A UM ATOR
Se a virtude não guia um gênio raro,
O vício ofusca do talento o brilho.
A virtude, unida ao gênio, o gênio eleva,
O vício, unido ao gênio, avilta e mata.
(Frederico Ernesto Estrella de Villeroy. Selecta Nacional ou trechos escolhidos de diversos autores nacionaes.  Pelotas:Livraria Americana, 1883, p.262.


SONETO 
Tristes sombras da noite, eu vos desejo!
Só no centro do vosso abismo escuro
É que acharei descanso o mais seguro.
É ele o único alivio que eu elejo.

Adiantar-me para vós é o que almejo;
Meditando em minha vida horas aturo,
Como um ente desgraçado me afiguro!
Só na morte é que o meu descanso vejo.

Porém não, cruel desgraça, não, não pares,
Podes ainda empregar a tirania
Nos mortais restos que de mim achares;
Podes ainda ultrajar-me a cinza fria,

Calcando-a bem aos pés, e então clamares:
<< Em tua vida assim eu te trazia! >>

 Feito de improviso, aos 14 anos de idade, em um jardim.
 (Do livro  de Clarinda - "Poesias", Pelotas:Livraria Americana, 1881.)