domingo, 25 de maio de 2014

  
PADRE PEDRO LUIS BOTTARI (1905-1983)

Toda cópia de qualquer texto ou imagem de meus  blogs solicitar autorização expressa através do email - darisimi@gmail.com. LEI Nº 9.610 de Fevereiro de 1998, que regulamenta os direitos autorais.

Série: Poetas do Passado Rio-Grandense

Foto extraída da revista Rainha
Natural de Vale Vêneto, Quarta Colônia,  à época pertencente ao Município de Santa Maria, RS, onde nasceu  a 29 de julho de 1905 e faleceu em Bagé, RS,  a 23 de agosto de 1983.  Sacerdote Palotino, poeta e jornalista. Foi pároco em Porto Alegre, Santa Maria, Canoas, Cruz Alta e Bagé.  Destacou-se por suas obras em homenagem à Virgem Maria, Mãe de Deus, iniciando pela Gruta de Lourdes, em Vale Vêneto, sua terra natal, e o monumento de Fátima, em Cruz Alta, duas obras por ele idealizadas e realizadas e hoje convertidas em dois lugares de romaria. Em 1972, Pe. Pedro Luis deu início em Bagé, a Rainha da Fronteira,  um monumento com o objetivo de construir logo um santuário  a Nossa Senhora Conquistadora, por considerá-la “a padroeira nata do Estado do Rio Grande do Sul”, já que foi ela a primeira santa que aqui se arrinconou.   

Foto extraída da revista Rainha, feita por Dari José Simi
A Imagem da Conquistadora foi  trazida pelo Pe. Roque Gonzales de Santa Cruz, o primeiro jesuíta a pisar terras do Rio Grande e aqui celebrar a primeira missa na Redução de São Nicolau, por ele fundada a 3 de maio de 1626, e a levou consigo em uma canoa, num percurso de 50 léguas pelo Rio Ibicuí e lhe pôs aquele nome porque convertia e conquistava os índios.

Padre Pedro Luis publicou artigos sobre assuntos religiosos com o pseudônimo de Aimone Sarmento,  em jornais católicos. Publicou “Crônicas do Paraná”, coluna periódica no Correio do Povo de Porto Alegre, a partir de 1962. Um nome bem conhecido nos meios literários sul-rio-grandenses por seus versos de uma inspiração condoreira e de uma perfeição parnasiana. Como poeta regionalista se destacou, juntamente com outros sacerdotes – Padre Paulo Aripe (Potrilho do Alegrete); Padre Fredolin Brauner;  Dom Luiz Felipe de Nadal  - publicando em livros e na imprensa gaúcha seus poemas, contos e crônicas.  Muitos de seus trabalhos ainda jazem em periódicos, distantes do acesso fácil dos leitores.
Foto da capa da 1ª edição, de 1964

Bibliografia do Pe. Pedro Luis Bottari:

Maria Teresinha Wang. Santa Maria:  Palotti;  Mina de ouro. Santa Maria: Palotti;  Modelo de mãe ou vida da Beata Ana Maria Taigi. Santa Maria: Palotti, 1933; Mãe Preta. Poema. Jornal “A Ofensiva”, Rio de Janeiro, 1936;  Catiabá. Poema. “Jornal do Dia”, Porto Alegre, 1949;  Cabiúna. Poemas. Porto Alegre, 1950; O monumento. Poemas. Porto Alegre, 1951; Sonetos do pampa. Santa Maria, 1963; O diamante negro de Canoas ou Tio Bastião Coelho. Biografia. Canoas: Hilgert, 1964. 86p. Duas edições foram publicadas, todas hoje muito raras;  Padre Caetano Pagliuca.   Biografia. In “Revista do IHGSM”, Santa Maria,  n.2, jul. 1964;  Crônica da província. In ”Revista Eclesiástica Brasileira”, Petrópolis, RJ, v.28, fasc.2, jun. 1968; A virgem crioula. Crônica histórica. In “Correio do Povo”, Porto Alegre, 05  jan. 1969;  A face de Deus no Cosmos.  Crônica. In “Correio do Povo”,  Porto Alegre, 22 fev. 1969;  A capital mundial da loucura. In “Correio do Povo”,  Porto Alegre, 04 mar. 1969; Visitei a família do Padre Reus.  In revista “Notícias para os nossos amigos”, Porto Alegre, n.106, jul. 1970; Em Caaró o sangue se fez luz. In revista “Rainha”, Santa Maria, n.667,  nov. 1978; Conquistadora: a madrinha crioula do gaúcho. In  revista “Rainha”, Santa Maria, n.661, maio 1978; O gênio do pampa. Poema cíclico gauchesco. 1ª Ed., Santa Maria: Palotti, 1958.  Desse poema foram publicadas três  edições. É a obra que ainda pode ser encontrada com certa facilidade nos sebos da capital.
Foto da capa da 1ª edição, de 1958

domingo, 11 de maio de 2014





RAUL  SOTERO  DE SOUZA (1892-1972)

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Série:  Poetas do Passado Rio-Grandense

Pesquisa - Dari José Simi

Raul Sotero de Souza - foto da capa do livro Desperta Rio Grande


Há muitos anos ouvi falar de um poeta e trovador repentista que andava pelas emissoras de rádio de Santa Maria, RS, e cidades vizinhas – São Gabriel,Cacequi,Jaguari,  São Vicente, Mata, São Pedro do Sul,  e outras. E que havia escrito um livro de poesias gaúchas. Seu nome: Raul Sotero de Souza. Isto ficou guardado em minha memória. Anos mais tarde li esse nome em um livro sobre o cantor e trovador Gildo de Freitas, que despertou meu interesse em buscar informações sobre o poeta. 
Raul Sotero de Souza foi poeta, gaiteiro e trovador repentista, natural de  São Gabriel, RS, onde nasceu em 1892 e faleceu em Santa Maria, RS, em 1972. Publicou os livros: “Desperta, Rio Grande”, prosa e verso, Santa Maria:Editora Pallotti, 1962, que é a continuação do livro “Inspiração de um gaúcho”, versos regionalistas.
Segundo o Guia do Folclore Gaúcho, de Augusto Meyer, Raul Sotero compôs um ABC sobre pelos de cavalos. Fomos buscar o texto indicado por Augusto Meyer no livro “Dicionário Enciclopédico do Rio Grande do Sul, uma raridade, organizado por Aurelio Porto, onde consta o ABC sobre pelos de cavalos, recolhido pelo historiador Walter Spalding:
“ABC – (populário) – Poesia popular, comum a todo o Brasil, mas muito usada e de modo particular, no Rio Grande do Sul.  No Norte do Brasil seu fim principal é o amor. No Rio Grande do Sul, a vida campeira, a vida heroica, o cavalo, entremeado, as vezes, por sentimentos amorosos. Essas poesias, geralmente quadras setesílabas, tem também o nome de ABECEDÁRIO.  Cada estrofe deve começar por uma letra  do alfabeto. São, no geral, simples canções, outras, cartas a amigos. Cezimbra Jacques em seu “Assuntos do Rio Grande do Sul”, transcreve o “Abecedário da moçada da coxilha”, mas incompleto, somente até a letra O.  Simões Lopes Neto  também transcreve esse tipo de poesia popular em seu “Cancioneiro Guasca.”  São, no geral, poesias mal feitas, como a poesia do povo.   Raul Sotero, poeta popular de São Gabriel, escreveu o seguinte ABC, precedido de uma explicação em verso, para o Sr. Alfredo Faria:
“Senhor Alfredo Faria,
para seu lado vou eu
em busca de um cavalinho
que o senhor me prometeu,
e pelo tempo que faz
decerto já se esqueceu.

E como promessa é dívida
o senhor tenha paciência;
mas peço me desculpar
eu estar com exigência,
pois dizem que Deus ajuda
a quem faz a diligência.

Assim lhe mando estes versos
para não mais esquecer,
que neles também lhe peço
pensar o que vai fazer.
Em prova de gratidão
vou mandar-lhe um ABC.

No ABC que lhe mando,
nas mesmas letras declaro,
em qualquer qüera não ando:
o meu gosto é muito raro.
Mas dos pelos que eu explico,
Aceito, creia, meu caro.

Alazão é pelo lindo !
si eu pudesse merecer
por ser a primeira letra
deste mimoso ABC.

Baio também me agradava,
si vós quizesseis me dar.
Si não tiver por quem mande,
eu mesmo vou lá buscar.

Colorado, gosto muito
por ser um pelo decente;
mesmo rosilho prateado
me deixaria contente.

Doradilho também serve;
é pelo que já gostei.
também num zaino bragado
muita carreira ganhei.

Entrepelado, que lindo
por ser um pelo exquisito;
eu aceitava me rindo
porque sempre achei bonito.

Fazendo os versos que mando,
talvez tenha algum engano:
estava agora pensando
que pode ser um tubiano.

Gateado é pelo bem maula,
mas  não quero pra carreira;
dá pra defender a pátria,
pra salvação da bandeira.

Há ! que saudades que tenho
do meu rosilho tostado !
De rédea, era uma balança !
Cortava por qualquer lado.

Iscuro, me dá saudades
do tempo de minha infância:
era o que mais eu zelava,
era o melhor lá da estância.

Já que trato deste assunto,
desejo sair servido:
mesmo azulejo ou bragado,
não tenho o tempo perdido.

Cavalo branco é azar,
para os dias de trovoada:
como sou muito devoto,
não tenho má fé de nada.

Lubuno na cancha é maula,
mas no rodeio já presta.
Si assim ganhar, me contento:
sete consolo me resta.

Mouro é sempre garantido
num pelado de rodeio.
Também ovêro rosado
é pelo que não odeio.

No que receba estes versos
feitos de tão boa fé,
deveis lembrar que um gaúcho
é triste viver a pé.

Oh ! que saudades que tenho
de um malacara que eu tinha,
das quatro patinhas brancas,
presente de uma madrinha.

Picaço é pelo macaco
de cavalo caborteiro;
mas se ganhar, me contento,
por não me custar dinheiro.

Que estes versos vão cair
nas mãos de muito boa gente,
que um pingo dado de gosto
quem ganha fica contente.

Ruano é pelo de gosto
por ele tenho paixão;
para apartar um rodeio
num dia de marcação.

Salino é pelo mui raro
que só por sorte da gente;
ovêro-chita e bragado
si ganho fico contente.

Tordilho no rio é peixe;
tostado é bom mas não tanto;
pampa de todos os pelos
também me serve, garanto.

Uma história bem escrita
a um homem de educação,
dá pra avaliar os poderes
da força da inclinação.

Vermelho de campo é um raio;
melado é fraco e traiçoeiro;
mas este mesmo eu aceito
por não me custar dinheiro.

Xará, só mesmo um acaso,
ou por ventura no mundo,
somente o pelo é remisso
que não alisa um segundo.

Zaino, vai por despedida,
com ele termino os versos;
que não se esqueça de mim
mais uma vez eu lhe peço.



Há referências ao poeta no livro “Gildo de Freitas” de Juarez Fonseca, Tchê, Comunicações Ltda., 1985, p. 47, o qual veio a cidade de Canoas trazer informações à dona Carminha, esposa de Gildo, que há muito não vinha em casa e nem mandava  notícias. “... eu vim aqui te dizer que era eu que te mandava dinheiro. Fazia os shows do Gildo e sempre tirava um pouco e mandava para ti. Então eu quero te avisar que o Gildo foi embora para outro lugar, e não sei notícias dele. Porisso tu não deves mais contar comigo.”
Raul Sotero participou, como trovador repentista, no “Grande Rodeio Coringa”, famoso programa da Rádio Farroupilha de Porto Alegre, apresentado por Darcy Fagundes e Luiz Menezes, que ia ao ar todos os domingos a noite.  No programa desfilavam outros grandes repentistas – Inácio Cardoso, Teréco Oliveira, Genésio Barreto, Luiz Müller, Portela Delavi, Garoto de Ouro, Preto Limão e Gildo de Freitas.

No festival de música nativista “1º Flete da Canção Gaúcha”, do município de Santa Margarida do Sul, foi criado, em homenagem ao poeta e trovador, o troféu Raul Sotero para a modalidade  melhor intérprete de música do festival.



Décima escrita por Raul Sotero (?)

Segundo Jorge Telles de Oliveira, em seu blog, diz: “Sobre o finado Talco (Tarquino Cardoso), fui vizinho em Rosário do Sul de uma  irmã dele, que também já faleceu, a amiga Geni, que foi quem me deu a décima em que não aparece o autor mas, segundo o estilo da lavra ela é imputada, isto sem confirmação oficial, ao famoso versejador e poeta Raul Sotero de Sousa, natural do município de Lavras do Sul.”





domingo, 4 de maio de 2014

PERIÓDICOS EM LÍNGUA ITALIANA PUBLICADOS NO RIO GRANDE DO SUL

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Pesquisa – Dari José Simi
darisimi@gmail.com
O autor deste blog concorda  com o uso dos seus textos e imagens, desde que seja informada a autoria.

Listamos 57 títulos de periódicos publicados no Rio Grande do Sul em idioma italiano. A maioria  veio a público em Porto Alegre e tiveram vida efêmera.  A pesquisa segue, pois de muitas publicações ainda não temos muitos dados.

ALMANACCO ITALIANO ILLUSTRATO -  Publicado em Porto Alegre a partir de 1917  por  “La Patria Italo Brasiliana”, jornal  fundado em 1912.  Foi seu diretor  Gaetano Blancato.  A Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul possui coleção quase completa do Almanacco.
BENTO GONÇALVES – ( 1ª fase de 1900 a 1910).  Tinha o nome da própria cidade onde foi fundado, em 2 de setembro de 1900, sob a direção de Francisco Leitão e Julio Lorenzoni.


Julio Lorenzoni e esposa Josefina Righesso, em 1913
Foto de autor desconhecido, captada na internet

Julio Lorenzoni nasceu na Itália em 1864 e emigrou com sua família para o Brasil em 1878, aos 14 anos de idade. De Silveira Martins, para onde fora inicialmente, já com 20 anos de idade e casado com Josefina Righesso, mudou-se para a então Colônia Dona Isabel, hoje Bento Gonçalves, onde exerceu vários cargos públicos e onde ajudou a fundar o jornal “Il Bento Gonçalves.”   Deixou escrito um documento de grande valor para o conhecimento da imigração italiana no Rio Grande do Sul, hoje publicado sob o título de “Memórias de um imigrante italiano.”
BENTO GONÇALVES – (2ª fase).  “Organo de gli interessi coloniali.”  Em 1º de janeiro de 1910, na então vila de Bento Gonçalves, aparece o 1º número do novo semanário o “Bento Gonçalves”, publicado todos os sábados.  Seu objetivo era defender os interesses da colônia italiana.  Sua direção estava a cargo do Dr. Antônio Casagrande, juiz de direito daquela comarca, que tinha como coadjutores Antônio S. Amaya de Gusmão, Dr. Constante Gino Battocchio, o padre Saverio  Acierno  e como gerente Júlio Lorenzoni.  Inicialmente foi publicado em italiano e português. Impresso na tipografia de Antônio Lorenzoni.  Conforme informação de Júlio Lorenzoni em suas “Memórias de um imigrante italiano”, o jornal circulou por três anos sob a direção do Dr. Casagrande, sendo após vendido, no ano de 1913, para outro jornal italiano. 
Jornal do acervo de Dari Simi

Já no primeiro ano de existência o jornal possuía mais de mil assinantes que o liam semanalmente.  “Nasceu aleijado, como os críticos logo disseram, esclarece Júlio Lorenzoni, por ser bilíngüe e com dois cabeçalhos, assim mesmo ele caminhava e projetava-se no campo jornalístico, para honra e glória deste centro de atividades e trabalho.” (Memórias, p. 228-229).
Dele fazem referência diversos órgãos da capital e do interior, como o “Correio do Povo”; o “Jornal do Comércio”; “Stella D’Italia”; “O Brasil”; etc.  O Correio do Povo assim se manifesta:  “Recebemos o 1º número do “Bento Gonçalves”, que acaba de aparecer na vila desse nome sob a direção do Sr. A. S. Amaya de Gusmão e gerência do Sr. Julio Lorenzoni.  É um jornal bem cuidado  e que se propõe defender os interesses coloniais.  Desejamos-lhe prosperidade.”  O jornal “O Pau Bate” também emitiu uma nota comunicando a seus leitores o surgimento do novo jornal:  “Bento Gonçalves”. É o nome de um bem cuidado jornal que acaba de aparecer em a vila do mesmo nome, sob a direção do inteligente e estimado promotor público daquela localidade Sr. Cap. Antonio Gusmão e do Sr. Julio Lorenzoni. O “Bento Gonçalves” conta com o auxilio intelectual dos Exmos. Srs. Antonio Casagrande, juiz da Comarca, e do simpático e ilustrado Gino Battocchio, jornalista de mérito, traquejado na imprensa européia.  Ao novo colega, “O Pau Bate” deseja 49 toneladas de prosperidades.” (Informações colhidas na página 4 do nº 5, ano I, de o “Bento Gonçalves”, edição de 29.1.1910, exemplar do acervo de Dari Simi).
Na edição de nº 47 , ano II, de 18.11.1911, o “Bento Gonçalves” publicou o interessante conto “A nevoa do inverno” de Achylles Porto Alegre.


Foto de autor desconhecido, tirada da internet

CITTÁ DI CAXIAS -  Jornal fundado em Caxias do Sul a 4 de janeiro de 1913. Circulou até 27 de dezembro de 1923. Gerente – Emilio Fonini.  Teve vários diretores: Ernesto Scorza, José Buzzoni, Luiz Bancalari, Hércules Donadio, José Joaquim de Vargas, Benício Dantas , Ulysses Castagna e Artur de Lavra Pinto (João Spadari Adami – “Caxias do Sul”, p. 208).
Ernesto Scorza nasceu na Itália e faleceu em Caxias do Sul a 13 de julho de 1916; Hécules Donadio também era natural da Itália;  José Joaquim de Vargas foi também escrivão da Coletoria Federal de Caxias do Sul;  Huberto Barbieri foi colaborador do jornal “Cittá di Caxias”.
CORRIERE CATTOLICO – Jornal fundado em 1891 em Porto Alegre. Diretores: Clemente Pinto; Guido Carlo Pasini e Adelchi Colnaghi.  Colnaghi foi diretor de diversos outros jornais italianos em Porto Alegre. 
CORRIERE ITALIANO -  Jornal fundado em 1902 em Porto Alegre por Angelo La Porta. No ano de 1904 o jornal se transforma no XX Settembre com Mario De Candia como redator e direção de Ercole Donadio. Durou até o final de 1905.
D’ARTAGNAN COLONIALE – Jornal fundado em 1915 em Porto Alegre.
FAVILLA – Jornal fundado em 1906, em Porto Alegre, por Saverio Acierno.
GAZETTA DELLE SIGNORE – Jornal fundado em 1910 em Porto Alegre.
GIORNALE D’ITALIA -  Jornal fundado em 1925 em  Porto Alegre,  com direção de Guido Vecchi e Benvenuto Crocetta e gerência de Fausto Lucchelli.   Benvenuto Crocetta atuou também no jornal italiano “Stella D’Italia”, fundado em 1902 em Porto Alegre, como diretor-gerente e mais tarde no jornal “Voce D’Italia”, também de Porto Alegre, como gerente.


Foto do acervo de Dari Simi

GUAPORENSE (O) – Jornal fundado em 1915 na cidade de Guaporé.
IL COLONO CAXIENSE. Jornal fundado em Caxias do Sul.
ILCOLONO ITALIANO -  “Bolletino cattolico mensile”. Jornal fundado em Caxias do Sul pelo padre Pedro Nosadini, cuja circulação foi de janeiro de 1898 até 21 de agosto de 1898, conforme informação de João Spadari Adami,( op.cit.).


Foto de autor desconhecido

Foto do acervo do autor do blog Dari Simi

Padre Pedro Nosadini nasceu em Bassano, Itália, em 1862. Emigrou para Caxias do Sul, onde em 1896 assumiu a Paróquia de Santa Teresa. Retornou para a Itália e faleceu no ano de 1899.


IL COLONO ITALIANO – Jornal fundado em 1910 na cidade de  Garibaldi.
IL COMMERCIO ITALIANO – Jornal fundado em 1892 em Porto Alegre por Agostino Ferrari.
IL CORRIERE D’ITALIA -  Jornal fundado em 1913 na cidade de Bento Gonçalves.
 “Em 1913, “Il Corriere D’Italia”, escrito em italiano, começou a circular sob orientação do padre Henrique Poggi. Tinha 4 páginas e 3.500 assinantes.” (Archymedes Fortini, in “Revivendo o Passado”, Correio do Povo, Porto Alegre, 23de agosto de 1970).

Foto do acervo de Dari Simi

IL GIORNALE DELL’AGRICOLTORE -  Fundado em Caxias do Sul em 28 de fevereiro de 1934 e circulou até 23 de março de 1940.  Seus diretores foram Adolfo Randazzo e Caetano Petinelli (João Spadari Adami, op. cit., p.209). 
Adolfo Randazzo nasceu em Cremona, Itália, em 8 de abril de 1899.
“O fascismo italiano através do periódico “Il Giornale Dell’Agricoltore”,  título de um texto de Paulo Afonso Lovera Marmentini, que afirma ser um jornal que veiculava noticiários agrícolas, religiosos e políticos, onde o fascismo era o tema principal.
IL PROGRESSO -  Jornal italiano fundado em Porto Alegre em 1897. dirigido por Mario De Candia. Também de pouca duração. Extinto em 1900.

Foto do acervo de Dari Simi

IL TEMPO – Jornal italiano fundado em 1906, em Porto Alegre, por Giovanni Del Guzzo. De vida curta.
IL TRENTINO -  Jornal italiano fundado em 1915 em Porto Alegre.
IL TRIBUNO – “Organo che suona oggi e ... puó suonare anche in seguito.”  Jornal italiano humorístico fundado em 1927 em Porto Alegre. Direção de Aldo Dieci. Redação na rua dos Andradas nº 111.
IL VENTI SETTEMBRE -  Periodico Instruttivo Settimanale. Órgão de interesse da colônia italiana. Fundado em 1883 em Pelotas.  Sua administração ficava na rua Andrade Neves, nº 168, Pelotas. Era publicado todos os domingos. De propriedade de Carlo Cantaluppi (diretor) e Luigi Bianchi.
Em seu cabeçalho pode-se ler: 
“Que suona di Dante Il linguaggio
Di discordia mai più si favelli
Italiani, sian tutti fratelli
E l’Italia una sola città.
L’amore e l’orgoglio nazionale
Non ci spinga a spregiare gli atri popoli.”
ITALIA -  Organo del Comitato “Pro Patria” di Porto Alegre.  Fundado em Porto Alegre em 1915. Não consta no cabeçalho nomes de diretores ou redatores. Oficina e tipografia na rua Dr. Flores, nº 70.
LA COLONIA ITALIANA -  Organo degli interessi degli italiani nella Provincia di S. Pedro do Rio Grande do Sul.  Unione e fratellanza (União e fraternidade).  São frases existentes no cabeçalho do jornal. Publicado aos domingos desde 1885 em Porto Alegre.  Sua redação e administração localizava-se na rua dos Andradas, nº 138.  A administração do jornal estava a cargo de F. Canessa.  Formato standard  de 4 páginas.
LA COMETA -  Jornal fundado em Porto Alegre em 1902 e dirigido por Angelo La Porta, o mesmo diretor do jornal Corriere Italiano.
LA FRUSTA -  Jornal em língua italiana publicado em Porto Alegre em 1906,  por Carlo Lombardi. De vida curta.
LA LIBERTÁ – Jornal fundado em Caxias do Sul a 13 de fevereiro de 1909 por Dom Cármene Fasulo.  Circulou em Caxias do Sul até 11 de dezembro de 1909, sendo logo transferido para Garibaldi, onde circulou com os nomes de “La Staffeta Rio Grandense” e “Il Colono Italiano.   Retornou para Caxias do Sul em setembro de 1952, onde circula até hoje com o nome de “Correio Rio-Grandense”, em português.  O “Correio Rio-Grandense” teve inicialmente a direção do Dr. Adelar dos Santos Vicenzi.
O padre Cármine Fasulo nasceu na Itália e foi vigário por muitos anos em Caxias do Sul.
LA LIGURIA -  Jornal italiano publicado em Porto Alegre a partir de 1884.
LA NUOVA ITALIA –  “Voce della collettivitá italiana del Rio Grande do Sul.” Fundado em Porto Alegre no ano de 1933 sob a direção e regência de Luigi Galvanoni, que mais tarde passou para Francesco Alioti.  Sua redação e administração situavam-se na rua 7 de Setembro, nº 729 e rua do Andradas, nº 800 em Porto Alegre. Tinha formato standard  com 10 páginas.

Foto do acervo do autor do blog Dari Simi

LA PATRIA – Jornal em língua italiana fundado na cidade de Rio Grande no ano de 1904. De curta duração.
LA PATRIA ITALIANA – Jornal fundado em 1897 em Porto Alegre.
LA PATRIA ITALO-BRASILIANA -  “Giornale settimanale indipendente.” Fundado em Porto Alegre em 1912 sob a direção de Vincenzo Blancato, que depois passou a direção para Gaetano Blancato. A direção e administração ficava na rua dos Andradas, nº 275, em Porto Alegre. Formato standard de 4 páginas.  O jornal editou o "Almanacco italiano illustrato de giornale La Patria", sob a direção de Gaetano Blancato. Não sabemos quantas edições foram publicadas do "Almanacco..." Vi  apenas as edições de 1917/18/19/20/21/22/24/25/26/30.
Diretor e proprietário do jornal 
La Patria Italo-Brasiliana

L’ARALDO COLONIALE -  Jornal fundado em 1913, em Porto Alegre, por Adolfo D'Agostoni. Durou apenas um ano.
LA SCINTILLA – Jornal fundado em Porto Alegre em 1896 por Rocco Ferraro e Vitola.
LA STAFFETTA RIO-GRANDENSE -  “Settimanale Cattolico della Colonia.”  Órgão fundado em Caxias do Sul a 13 de fevereiro de 1909 por Dom Cármine Fasulo, vigário daquela cidade, com o nome de “La Libertá”.  Funcionou até 11 de dezembro de 1909. Mais tarde (1910?) foi transferido para Garibaldi onde teve seu nome trocado para “Il Colono Italiano” e depois voltou para “La Staffetta Rio-Grandense.”  O mesmo jornal retornou para Caxias do Sul em 1952, onde existe até hoje, editado em português, com o nome de “Correio Rio-Grandense.” Em Garibaldi teve como gerente José Lorenzi.  Teve formatos tablóide e standard.
A famosa obra de Aquiles Bernardi (Frei Paulino de Caxias), “Storia  de Nanetto Pipetta (nasuo in Italia e vegnudo in Mérica per catare la cucagna) teve sua primeira versão, dada à estampa nas páginas do jornal “Staffetta Rio-Grandense”, entre 1924 e 1926.  Seguiram-se outras edições publicadas em livros: 2ª em 1937; 3ª em 1956, em Caxias do Sul, Editora São Miguel; 4ª em 1975; 5ª em 1976; 6ª em 1978, em co-edição UCS/EST. (Guilhermino Cesar – “Nanetto Pipeta”, in “Caderno de Sábado”, nº 542, p.3,  Correio do Povo, 4.11.1978).
LA VERITÁ -  Jornal publicado em 1902, em Porto Alegre, por Arduino Lippi. De pouca duração.
LA VOCE DEL COLONO -  Jornal publicado em 1924, em Alfredo Chaves, atual Veranópolis.
LA VOCE DEL COLONO -  Jornal publicado em 1927, em Palmeira via Santa Bárbara.
LA VOCE DELLA VERITÁ -  Jornal publicado em 1898, em Porto Alegre.
LA VOCE D’ITALIA -  “Organo della collettivitá italiana  del Rio Grande del Sud.” Fundado em 1935, em Porto Alegre.  Direção de Angelo GAttoni. Redação e administração na rua 7 de Setembro, nº 1158, Porto Alegre.




Foto do acervo do autor do blog Dari Simi

LA VOCE D’ITALIA –  Fundado em 1975, em  Porto Alegre.


L’AVVENIRE -  Órgão fundado em Porto Alegre, em 1892, pelos irmãos  Giannini. Diretor: Colombo Leoni. Durou poucos meses.
L’ECO DELLE COLONIE – Fundado em 1892, em Porto Alegre por Carlo Dell'Apa. De vida efêmera.
L’ITALIA – Órgão fundado em 1895, em Porto Alegre. Redatores: Cesare Pelli; Arzani e Carlo Dell'Apa. Durou poucos meses.
L’ITALIANO – Órgão fundado em 1890, em Porto Alegre. De propriedade dos irmãos  Marsicano. Diretor: Cesare Pelli.
LO PASCOALINO – Jornal fundado em 1929, em Porto Alegre.
L’OPERARIO ITALIANO – Jornal fundado em 1899, em Porto Alegre.
L’UNIONE -  “Organo della collettivitá Italo-Riograndense.”   Propriedade de S. A. Gráfica Italiana.  Direção, administração e oficina na rua General Victorino, nº 319, Porto Alegre. Formato standard, de 12 páginas.
Foto do acervo do autor do blog Dari Simi

NOVA ITALIA – Fundado em 1924, em Porto Alegre, por F. Perrone.
PÁGINAS ISOSTENICAS -  Revista mensal  fundada em 1919, em Porto Alegre, por Attila Moriconi. Redigida em italiano e português. Attila Moriconi foi colaborador, por muitos anos, do jornal "Correio do Povo", de Porto Alegre.
PATRIA NUOVA -  “Giornale Italo-Brasiliano Indipendente, Político, Litterario, Notizioso.”  Fundado em Porto Alegre, em 1923.  Diretor e proprietário: Francesco A. Perrone. Redação e administração na rua dos Andradas, nº 315 B, Porto Alegre. Formato standard de 4 páginas.
RIVISTA ITALO-BRASILIANA – Órgão publicado em 1922, em Pelotas. Durou pouco tempo.
STELLA D’ITALIA – “Gazzetta bisettimanale indipendente, premiata alle Esposizioni Milano 1906 e Torino – Roma 1911.”  Fundado em Porto Alegre, em 1902. Diretor proprietário: Adelchi Colnaghi. Editor-gerente: Benvenuto Crocetta, o mesmo que atuou no “Giornale D’Italia.” Formato standard. Durou 23 anos.


Foto do acervo de Dari Simi
Fonte: Cinquantenario, 1925, p. 447, primeira parte.
Foto do acervo do autor do blog Dari Simi

TRIBUNA D’ITALIA – “Giornale degli italiani nel Rio Grande do Sul.”  Fundado em 1925, em Porto Alegre. Propriedade de Comelli, Aliprandi e Cia.  Sub-gerente Fausto Lucchelli.  Direção de E. Aliprandi e C. Comelli.  Redação e administração na rua dos Andradas, nº 317, Porto Alegre.  Formato  standard.  A “Tribuna D’italia” possuía um “Supplemento umorístico della Tribuna D’Italia,” com o título “Il  Tribuno”, publicado semanalmente, com 4 páginas, no formato tablóide.  Junto ao título pode-se ler:  “Ano disastroso, Porto Alegre, epoca presente, num. qualunque.  Redazione: Nella strada. Amministrazione:  Fallita.  Direttrice: Sora Geltrude. Gerente responsabile: Suo marito. Figlio legitimo della... própria madre. Settimanale che  sorte una volta al mese.”
XX SETTEMBRE -  Jornal publicado em Porto Alegre, em 1904, sob a direção de Ercole Donadio e redação de Mario De Candia. Extinto no final do ano de 1905. (Ver o jornal Corriere Italiano, nome anterior do XX Settembre)
Ercole Donadio foi professor elementar na escola então mantida pela Sociedade Italiana de Beneficência e Instrução Umberto I, de Porto Alegre (Klaus Becker - Enciclopédia Rio-grandense, vol. 2, p.288).
VITA COLONIALE – Jornal publicado em Porto Alegre, em 1927.
VOCE D’ITALIA -  Organo della collettivitá italiane dello  Stato di Rio Grande do Sul.”   Fundado em 1928, em Porto Alegre.  Redator:  Ferraro Marcelli. Gerente: Benvenuto Crocetta, o mesmo do Stella D’Italia.  Sua redação e administração ficava no Centro da Boa Imprensa. Formato standard, de 6 páginas.

FONTES DE PESQUISA:
*Adami, João Spadari – História de Caxias do Sul, vol. I, Caxias do Sul, 1962.
*Biblioteca Pública do Rio Grande do Sul, Porto Alegre
*Becker, Klaus - Enciclopédia Rio-grandense, vol.2, Canoas:Edit. Regional, 1956
*Coleção particular de jornais do autor do blog, Dari José Simi
*Cinquantenario della colonizzazione italiana nel Rio Grande del Sud. Porto Alegre:Globo, 1925, 1ª parte, p.444-447.
*Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, Porto Alegre
*Jornal “Correio do Povo”, Porto Alegre
*Lorenzoni, Julio -  Memórias de um imigrante italiano. Porto Alegre:Sulina, 1975.
*Marmentini, Paulo Afonso Lovera - O fascismo italiano através do periódico “Il Giornale Dell’Agricoltore”.  Anais do XI Encontro Estadual de História, Unisinos, p. 862-868.
*Museu da Comunicação Social Hipólito José da Costa, Porto Alegre.