domingo, 29 de junho de 2014








ALMANAQUES E ANUÁRIOS PUBLICADOS NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

                                                                          Pesquisa – Dari José Simi – darisimi@gmail.com

Toda cópia de qualquer texto ou imagem de meus  blogs solicitar autorização  através do email - darisimi@gmail.com. LEI Nº 9.610 de Fevereiro de 1998, que regulamenta os direitos autorais.


Os Almanaques, anuários e outros periódicos do gênero são fontes preciosas, que trazem material importante e achegas ricas de originalidade.  São publicações editadas anualmente e hoje quase desapareceram do comércio. Muitas coleções já desapareceram, tornando-se peças raras e quase impossíveis de se conseguir.   Quase sempre trazem assuntos inéditos e por isso tornam-se fontes de pesquisa para os historiadores do nosso passado.
São numerosos os almanaques no Rio Grande do Sul. Há os que Aurélio Porto, Guerreiro Lima ou Dante de Laytano publicaram.  Um ou dois números,  apenas. Outros em língua alemã ou italiana, repletos de dados sobre a imigração, colonização e a contribuição destas novas correntes na formação das populações rio-grandenses.
Há os almanaques históricos, como o de Manoel Almeida de Magalhães, que fez um estudo completo de Porto Alegre em 1809.  Outros são bastante conhecidos porque foram de grande circulação, como o do “Correio do Povo” ou o da “Editora Globo”, que desempenharam um grande papel, como órgãos de divulgação da literatura regional. Antes, o “Almanach Popular Brazileiro”, de Alberto Ferreira Rodrigues ou o do seu irmão Alfredo Ferreira Rodrigues, “Almanak Litterário e Estatístico do Rio Grande do Sul”,  publicados em Pelotas e Rio Grande,  que deram grande ênfase à problemática estética, inserindo muitas poesias inéditas, até lançando poetas novos.
Este trabalho visa apenas relacionar os almanaques publicados no Rio Grande do Sul. A pesquisa deverá continuar, na medida em que novas informações forem coletadas.




*ALMANACCO ILLUSTRATO DEL GIORNALE “D’ITALIA”.  Rio Grande: Giornale D’Italia.


*ALMANACCO ITALIANO ILLUSTRATO DEL GIORNALE “LA PATRIA”. Porto Alegre:La Pátria Italo-Brasiliana. Rua Dr. Flores, 32.  Diretor e proprietário - Gaetano Blancato.   A primeira edição saiu em 1917.
O jornal LA PATRIA ITALO-BRASILIANA “Giornale settimanale indipendente.”foi fundado em Porto Alegre em 1912 sob a direção de Vincenzo Blancato, que depois passou a direção para Gaetano Blancato.  Não sabemos quantas edições foram publicadas do "Almanacco..." Vi  as edições de 1917/18/19/20/21/22/24/25/26/30. Inicialmente foi impresso em papel jornal, depois passou a ser impresso em papel couché.  



Gaetano Blancato - Diretor e proprietário do jornal 
La Patria Italo-Brasiliana






*ALMANACCO PER LE FAMIGLIE ITALIANE NEL BRASILE. Porto Alegre: Liv. Selbach.

ALMANACH CRUZ ALTENSE.  Publicado nos anos de 1899 e 1900, por Bastos & Lima, em Cruz Alta, RS.

                                                                


*ALMANACH DA ESTRELA DO SUL – Porto Alegre:Centro da Boa Imprensa do Rio Grande do Sul. Impresso em Porto Alegre, de 1924 até 1944, nas Officinas Gráphicas do Orphanotróphio Santo Antonio - Pão dos Pobres.



Foto do exemplar do acervo de Dari José Simi


*ALMANACH DA FEDERAÇÃO - Órgão do Partido Republicano.  Publicado em Porto Alegre numa única edição de 1885.

*ALMANACH DE PELOTAS –   Impresso nas Officinas Typographicas do Diário Popular. Pelotas:Liv. do Globo, 1913-1935.  Até 1919 a direção do Almanach era de Ferreira & Cia., após, a direção ficou a cargo de Florentino Paradeda, que adquiriu a propriedade da publicação.














*ALMANACH DE PORTO ALEGRE.  A  primeira edição do Almanach saiu em 1920.








*ALMANACH DO AGRICULTOR E CRIADOR RIO-GRANDENSE.  Publicado em Porto Alegre por João M. Castello, diretor proprietário.

*ALMANACH DO COMMERCIO (Guia de viajantes no Estado do Rio Grande do Sul). Organizado por J. Bastos e publicado em Rio Grande em uma única edição de 1894.

ALMANACH ENCYCLOPEDICO SUL-RIO-GRANDENSE.  De Augusto Porto Alegre. Impresso nas Officinas a vapor do Jornal do Commercio, em Porto Alegre. Saiu apenas dois números em 1898 e 1899.

*ALMANACH MUNICIPAL DA CIDADE DE SANTA MARIA DA BOCCA DO MONTE para o anno de 1899.  1º ano, Tipografia d'O Combatente, Santa Maria, RS, 1898, 136 p., 13,5 x 18 cm. Publicado por Catão Vicente Coelho e Cândido Brinckmann.  Segundo Romeu Beltrão em "Cronologia Histórica de Santa Maria e do Extinto Município de São Martinho", 2ª ed., 1979, páginas 159 e 160, onde traz dados biográficos de Catão Vicente Coelho, também houve outra edição tirada em 1899 para o ano de 1900, Tipografia d'O Combatente. O"Almanach" foi o primeiro livro impresso na cidade de  Santa Maria.
Catão Vicente Coelho: Dados biográficos em "Escritores do Rio Grande do Sul", de Ari Martins, Porto Alegre:IEL, 1978 e "Cronologia Histórica de Santa Maria e do Extinto Município de São Martinho", de Romeu Beltrão, 2ª ed., Canoas:Tipografia Editora La Salle, 1979, p.159 e 160.
Catão nasceu em São Borja, RS a 5 de maio de 1850 e faleceu em Santa Maria, RS, a 3 de março de 1937. Filho de João Antonio Coelho e Matilde Palma Coelho. Exerceu diversas atividades como funcionário público no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Foi vereador no município de São Sepé, RS.  Residiu em Santa Maria desde 1896, onde foi redator do jornal "O Gaúcho".  Publicou as seguintes obras: Almanach municipal da cidade de Santa Maria da Bocca do Monte, duas edições para os anos de 1899 e 1900; Lei Torrens (Aos proprietários de imóveis), 1899; Resumo biográfico do Coronel João Niederauer Sobrinho, Santa Maria:Livraria do Globo,1903; Apontamentos para criadores, 1909; Codificação da Lei Torrens do Estado, 1935; A várzea de outrora, crônica histórica, 1935.


Catão Vicente Coelho em foto na Associação Rural de Tupanciretã (hoje Sindicato Rural de Tupanciretã), da qual foi um dos fundadores.

*ALMANACH PARA AS FAMILIAS BRASILEIRAS. Porto Alegre.

*ALMANACH PELOTENSE. Organizado por Joaquim Ferreira Nunes e publicado em 1862.



*ALMANACH POPULAR BRAZILEIRO. Anual. Editado por Alberto Ferreira Rodrigues, irmão de Alfredo Ferreira Rodrigues, em 15 volumes, de 1894 até 1908.  Pelotas, Porto Alegre e Rio Grande:Liv. Universal de Echenique & Irmãos.
Como todos os almanaques, os assuntos eram muito variados, destacando-se consagrados autores nacionais e estrangeiros. Também muitos gaúchos desfilavam pelas páginas do Almanach. Destacamos: Bernardo Taveira Júnior; Fontoura Xavier; Apolinário Porto Alegre; Damasceno Vieira; Alberto de Oliveira; J. F. de Assis Brasil; Francisco Lobo da Costa; Múcio Teixeira; Felix Xavier da Cunha, entre outros.  Também é significativo o número de mulheres que escreviam para o Almanach - Narcisa Amália; Julieta de Mello Monteiro; Julia Lopes de Almeida;  Flor de Liz; Adelina Amélia Lopes Vieira; Etelvina Ferreira; Maria Joaquina de Souza Fernandes Chaves; Anna Auroro do Amaral Lisboa; Francisca Julia da Silva; Francisca Clotilde; Elvira Gama; entre outras.

Livraria Universal Echenique Talvez a livraria que mais tenha participado da vida cultural da cidade e ainda permaneça na lembrança de muitos pelotenses, seja a Livraria Universal. Afora esse fato, será sempre lembrada por ter editado as principais obras de João Simões Lopes Neto. O estabelecimento dessa casa editorial é decorrência do papel ativo desempenhado por Guilherme Echenique que, em conjunto com seu irmão Carlos, funda em 1o de agosto de 1887 a firma Echenique & Irmãos, tendo ainda como sócio comanditário o empresário Pedro Luís Osório. Em breve, outros sócios são incorporados, como Martin Echenique, Alberto Echenique Leite e Angelo Coppola. A inauguração da livraria ocorre na noite de 7 de dezembro de 1887, em prédio localizado na rua 15 de Novembro, entre General Neto e 7 de Setembro. Ao findar o ano de 1893, transferem o 247 estabelecimento para o prédio especialmente construído para essa finalidade, ou seja, um grande empório comercial de livros, passando a funcionar na confluência das ruas 15 de Novembro com 7 de Setembro. A sede estava situada num ponto nevrálgico da vida cultural da cidade. No ano de 1908, Carlos Echenique assume a responsabilidade da casa de Porto Alegre, continuando Guilherme Echenique e Martin Echenique no comando da sede de Pelotas e Rio Grande, a razão social passa a ser Echenique & Cia. Em março de 1917, adquirem o acervo da Livraria Americana, ampliando sobremaneira os títulos de seu catálogo.


Foto do exemplar do acervo de Dari José Simi


*ALMANACH RECREATIVO SUL-RIO-GRANDENSE.  Organizado por Julio Cesar e Virgilio Goulart.  Impresso pela Typographia d'A Popular de Bagé.  Saiu apenas uma edição em 1900.

*ALMANACH  RIO-GRANDENSE. Editado em Porto Alegre a partir de 1920.


*ALMANACK DO COMMERCIO DO RIO GRANDE DO SUL. Porto Alegre.


*ALMANACK ESCOLAR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Porto Alegre.

*ALMANACK LITERÁRIO E ESTATÍSTICO DE SÃO GABRIEL.  1913. De Adolpho Lopes Barreto

*ALMANAK ADMINISTRATIVO, COMMERCIAL E INDUSTRIAL RIO-GRANDENSE. Por Antonio de Azevedo Lima e Ignacio de Vasconcellos Ferreira.  Porto Alegre: Typographia do Jornal do Commercio. Sairam apenas duas edições em 1873 e 1874.  A edição de 1874 ficou a cargo de Antonio de Azevedo Lima e Joaquim Pedro de Azevedo.
Dois exemplares dos anos citados fizeram parte da Exposição de História do Brasil de 1881, como consta no catálogo publicado pelos Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, vol. IX, p. 343, 1881-1882.

*ALMANAK DA CASA SCHRÖDER.  Porto Alegre: Officinas Typographicas da Livraria do Globo.

*ALMANAK DA VILLA DE PORTO ALEGRE, COM REFLEXÕES SOBRE O ESTADO DA CAPITANIA DO RIO GRANDE DO SUL.  Editado por Manuel Antonio de Magalhães em 1808.
Um exemplar desse Almanak esteve na Exposição de História do Brasil de 1881, como consta no catálogo publicado pelos Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, vol. IX, p. 343, 1881-1882.  O texto completo do Almanak foi publicado pela Revista Trimensal do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico do Brasil. Tomo XXX, primeira parte, p. 43-74, 1867, Rio de Janeiro.
Augusto Porto Alegre publicou,, em 1908, no volume 1 da "Biblioteca Restauradora do Rio Grande do Sul: Notas ao Almanaque da Vila de Porto Alegre de Manuel Antônio de Magalhães." Porto Alegre:L.P. Barcelos, 1908.
O "Boletim Municipal", da Prefeitura de Porto Alegre, ano II, nº5 , vol. 3, maio a agosto de 1940, também publicou o referido Almanak na página 149 e seguintes. 


*ALMANAK DO RIO GRANDE DO SUL – Editado em Porto Alegre.



*ALMANAK LITTERÁRIO E ESTATÍSTICO DO RIO GRANDE DO SUL – Anual. Editado por Alfredo Ferreira Rodrigues, em Pelotas e Rio Grande: Typographia da Livraria Americana, de Carlos Pinto & Cia., entre os anos  de 1889 até 1917. Foram 29 edições.
Destinava-se à divulgação cultural, literária e de entretenimento do público leitor em geral, servindo à difusão da leitura .  Continha, entre outros assuntos de interesse da época, calendários, estatísticas, biografias, charadas, poesias e ensaios históricos.
Alfredo Ferreira Rodrigues: Nasceu a 12 de Setembro de 1865 no distrito de Povo Novo, município de Rio Grande e faleceu em Pelotas a 8 de Março de 1942.  filho de Agostinho José Ferreira Rodrigues e Maria Manuela Azevedo Rodrigues. Jornalista e historiador. Grande parte de sua produção literária encontra-se publicada no Almanak Litterário e Estatístico do Rio Grande do Sul. Dados biográficos em "Alfredo Ferreira Rodrigues" de Hélio Moro Mariante, Porto Alegre:Martins Livreiro, 1982;  "Escritores do Rio Grande do Sul" de Ari Martins, Porto Alegre:IEL, 1978.

Capa da 1ª edição do Almanak Litterário e Estatístico da Província do Rio Grande do Sul.  Essa edição foi a primeira e única que usou o título de Almanak Litterario e Estatístico da Província do Rio Grande do Sul, os demais passaram a chamar-se Almanak Litterario e Estatístico do Estado do Rio Grande do Sul. Foto do acervo de Dari José Simi


*ALMANAK RECREATIVO SUL RIO-GRANDENSE. Publicado na cidade de Bagé, RS, a partir do ano de 1900, pela Typographia da Popular dos Irmãos Cirone.



*ALMANAK RIO GRANDENSE – Editado em Porto Alegre, cerca de 1882.

*ALMANAK SILVEIRA. Pelotas:Viuva Silveira & Filho, 1878.

*ALMANAQUE DA BRIGADA MILITAR. Porto Alegre:Oficinas da Brigada Militar.
Consultei o exemplar de 1947, ano XXXII

*ALMANAQUE DA FAMÍLIA. Pelotas:Typ. da Sociedade Medicinal Souza Soares, de 1892 até 1903. Tinha distribuição gratuita.

*ALMANAQUE DA REVISTA DO GLOBO.  Ver ALMANAQUE DO GLOBO.

*ALMANAQUE DA SERRA. Erechim:A Voz da Serra.







*ALMANAQUE DE RIO PARDO.  De Dante de Laytano. Publicação  comemorativa do primeiro centenário da elevação à cidade. 1946.


Foto do acervo de Dari José Simi

*ALMANAQUE DO BARÃO ERGONTE.  Publicação individual do gaúcho Múcio Teixeira, com caráter esotérico. Publicado no Rio de Janeiro em 1912.


*ALMANAQUE DO BICENTENÁRIO DE PELOTAS. Organizado por Luís Rubira (Projeto LIC: Gaia Cultura & Arte). 3 vols., textos de pesquisadores e imagens da cidade. Santa Maria/RS:Pró-Cultura, RS/ Gráfica e Editora Pallotti, 2014.


*ALMANAQUE DO CORREIO DO POVO – Editado pela Companhia Jornalística Caldas Júnior (Correio do Povo) de Porto Alegre, a partir de 1916 até 1985
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Almanaque do Correio do Povo, 
exemplares do acervo de Dari J. Simi




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*ALMANAQUE DO CORREIO RIO-GRANDENSE.  Pertence à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos de Caxias do Sul, proprietária do jornal Correio Rio-Grandense, e  editado através da  Associação Literária São Boaventura e impresso pela Editora São Miguel.

*ALMANAQUE DO CORREIO SERRANO. Publicação da Casa Editora do Correio Serrano de Ulrich Löw , Ijuí, RS.  Suplemento grátis para os assinantes do Correio Serrano.  Circulou na década de 1940 em idioma português. Edições também em alemão. Ver Serra-Post Kalender.

*ALMANAQUE DO ESTADO. Porto Alegre, publicado de 1892 a 1914.

*ALMANAQUE DO EXÉRCITO. Porto Alegre.

*ALMANAQUE DO GLOBO – Editado por Mansueto Bernardi , João Pinto da Silva e Octavio L. Tavares.  Porto Alegre: Livraria do Globo, a partir de 1917 até 1932. A partir de 1933, sob outra direção, passa a denominar-se ALMANAQUE DA REVISTA DO GLOBO.

A Livraria do Globo foi fundada em 1883 por Laudelino Pinheiro Barcelos, estabelecendo-se na rua dos Andradas, em Porto Alegre. Prestava serviços de litografia, com impressão e encadernação de obras literárias, recreativas e científicas.  A Revista do Globo foi uma das suas grandes realizações jornalísticas. Prestou imensos serviços em prol da cultura gaúcha e nacional.






*ALMANAQUE DO SÍNODO RIOGRANDENSE (Jahrweiser) – Publicado em Alemão em São Leopoldo.

*ALMANAQUE DOS GAÚCHOS. Organizado por Barbosa Lessa. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1997.


*ALMANAQUE ENCICLOPÉDICO SUL-RIO-GRANDENSE - Dirigido por Augusto Porto Alegre. Publicado em Porto Alegre a partir de 1898 até 1899.

*ALMANAQUE ESPORTIVO DO RIO GRANDE DO SUL. De Amaro Junior. Publicado em Porto Alegre a partir do ano de 1942 até 1949?

*ALMANAQUE GLOBO LITERÁRIO DO RIO GRANDE DO SUL – Editado em Porto Alegre, a partir de...

*ALMANAQUE ILLUSTRADO. Porto Alegre:Typ. Gundlach.

*ALMANAQUE JAGUARENSE. Presume-se que saiu apenas a edição de 1918 e não houve continuação.

*ALMANAQUE POPULAR BRASILEIRO -  Editado em Pelotas por Echenique e Irmão, Livraria Universal, de 1894 até 1908, sob a direção de Alberto Ferreira Rodrigues, por 15 anos consecutivos..


*ALMANAQUE REGIONAL. Publicado em 1917 em Santa Maria, RS, por Antenor Ribeiro de Moraes, natural de Taquari, RS, onde nasceu a 14 de outubro de 1881. Foi cirurgião dentista em Santa Maria. Poeta regionalista e crítico literário. Ver Escritores do Rio Grande do Sul de AriMartins, p. 378.

*ALMANAQUE RIO-GRANDENSE.  Direção de Moacyr Godoy Ilha. Impresso pela Livraria do Globo de Porto Alegre a partir de 1920.
Foto do acervo de Dari J. Simi

*ALMANAQUE SÃO MIGUEL – Editado pelos padres do Verbo Divino, em Porto Alegre. "Em prol das vocações sacerdotais e religiosas."

*ANNUÁRIO ESTATÍSTICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Por Augusto M de Carvalho. Porto Alegre:Officinas Gráphicas do jornal  A Federação.

*ANNUÁRIO INDICADOR DO RIO GRANDE DO SUL. Diretor Afonso  Guerreiro Lima. Publicado em Porto Alegre de 1920 até 1928, nas Oficinas Gráficas da Livraria do Globo.
Conteúdos -  informações de utilidades dos municípios gaúchos; guia geral do Estado do Rio Grande do Sul; secção de endereços; aspectos geográficos e históricos do Rio Grande do Sul e assuntos diversos. 
Foto do acervo de Dari José Simi

*ANNUÁRIO MILITAR PARA USO DAS FORÇAS EM GUARNIÇÃO NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL.  Organizado pelos tenentes José Feliciano Lobo Viana, Manoel Francisco Moreira  Sobrinho e Cipriano da Costa Ferreira. Editado em  Porto Alegre. Teve apenas duas edições anuais em 1891 e 1892.


*ANUÁRIO AGRÍCOLA DA UNIÃO POPULAR – Publicado em Porto Alegre pela Sociedade União Popular do Rio Grande do Sul e impresso na Gráfica Editora A Nação S.A.
Dirigido aos agricultores do Brasil.

*ANUÁRIO D’A NAÇÃO. Diretor-Gerente: Nestor Pereira;  Redator-Chefe: Luiz Alexandre Compagnoni.  Porto Alegre: Tipografia do Centro, S.A. - Centro da Boa Imprensa do Rio Grande do Sul. Rua Dr. Flores, 108.

*ANUÁRIO DA UNIVERSIDADE DE PORTO ALEGRE.  Porto Alegre.

*ANUÁRIO DE ESTATÍSTICAS EDUCACIONAIS E CULTURAIS. Porto Alegre

*ANUÁRIO DEMOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO SUL. Porto Alegre

*ANUÁRIO DE SANTO ANTÔNIO – Publicado pelos Irmãos das Escolas Cristãs (Lassalistas). Redação: Instituto São José, Canoas, RS.  A partir de 1937 e até 1945, a redação ficava no Pão dos Pobre, em Porto Alegre. Após, a redação ficou a cargo do Irmão Justo, no Instituto São José de Canoas, até o ano de 1955, quando encerrou suas atividades.

*ANUÁRIO DO APOSTOLADO CATÓLICO. Suplemento da revista "Rainha dos Apóstolos", publicado por Editora Pallotti de Santa Maria, RS.  Bastante ilustrado com fotografias; calendário anual; pouca propaganda e assuntos variados.

*ANUÁRIO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – Sob a direção de Graciano Alves de Azambuja,  publicado a partir de 1885 até 1914 por Krahe & Cia., sucessores de Gundlach & Krahe, Livreiros. Foram publicadas 30 edições.  Até 1889 era denominado Annuario da Província do Rio Grande do Sul.

" A Casa Krahe & Cia., anteriormente Gundlach & Krahe, com matriz localizada em Porto Alegre, era uma importante casa editorial de livros, além de importadora em grande escala de livros, papéis, objetos para escritório, pianos e músicas, brinquedos, objetos de arte e miudezas. Foi fundada em 1869, na capital do Estado. A firma era proprietária de um bem montado estabelecimento de pautação e encadernação. Uma das principais obras editadas foi o Anuário do Rio Grande do Sul, sob a responsabilidade de Graciano Alves de Azambuja. Circulou de 1885 até 1914, perfazendo um total de 30 volumes, ininterruptamente dado à luz. Também de seus prelos saíram o Koseritz Volkskalender. Possuía filiais em diversas cidades, em Pelotas a responsabilidade estava a cargo de Hermann Schroeter." (Almanaque do Bicentenário de Pelotas, vol. 2, 2014, p. 252)

Nota: Adolph Heinrich Gundlach nasceu em 1844 e faleceu em 1904.

Graciano Alves de Azambuja nasceu em Camaquã, RS a 9 de agosto de 1847 e faleceu em Porto Alegre a 9 de julho de 1911.  Foi educador, escritor e jornalista. Filho de Manuel Alves de Azambuja e de Inácia Vieira de Carvalho. Diretor da Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul; diretor da Instrução Pública do Rio Grande do Sul e diretor da Escola Normal de Porto Alegre.


Graciano Alves de Azambuja - 1847-1911


Foto do exemplar do acervo de Dari José Simi

*ANUÁRIO DO SEMINÁRIO CENTRAL DA IMACULADA CONCEIÇÃO E DO COLÉGIO MÁXIMO S.J. – São Leopoldo, RS.

*ANUÁRIO ESTATÍSTICO DA EXPORTAÇÃO. Porto Alegre

*ANUÁRIO ESTATÍSTICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – Organizado pela Repartição de Estatística. Diretor: Augusto M. de Carvalhos.

*ANUÁRIO EVANGÉLICO – Publicado em São Leopoldo pela Editora Sinodal.

*ANUÁRIO INACIANO – Publicado em Porto Alegre pela Livraria Editora Padre Reus.

*ANUÁRIO RIOGRANDENSE DE FILOSOFIA. Porto Alegre, 1ª edição, 1967. Responsabilidade de Ernildo Stein. 

*BOLETIM MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE – Direção de Walter Spalding; publicados 30 números.

*BOLETIM MUNICIPAL DE SÃO LEOPOLDO – Sob a direção de Carlos de Souza Moraes.

*BOLETIM DO CENTRO RIO-GRANDENSE DE ESTUDOS HISTÓRICOS – Publicado na cidade de Rio Grande, RS, por Abeillard Barreto. Saíram só 3 números.

*BRUMBÄR KALENDER. Almanaque publicado em Arroio do Meio, RS, por Alfons Brod.  O Museu Histórico Visconde de São Leopoldo possui os exemplares dos anos de 1931,1932,1933,1934,1935 e 1938.

*DER FAMILIENFREUND – Kalender des volksvereins für die deutshen katholiken in Rio Grande do Sul,  Porto Alegre: Druck und Verlag: Typographia do Centro. Redigido pelo padre Teodoro Amstad, S.J.  Familienfreund foi o antecessor do Anuário d'A Nação.

*DER HEIMATBOTE - KALENDER FÜR DIE DEUTSCHEN SÜD BRASILIENS SPEZIELL CENTRAL RIO GRANDE DO SUL.   Villa Thereza, Santa Cruz do Sul, RS.  Circulou sob a orientação de Hermann Pechmann na década de 1930.


*DEUTESCHER VOLKS KALENDER.  Hevangegeben in der Druckerei der "Deutscher Zeitung".  Porto Alegre, Druck und Verlag der Druckerei der Deutschen Zeitung, Rua da Praia, 314. Formato 9x13 cm. A 1ª edição é de 1865 (?)

*FOLHINHA CAMPONEZA.  Organizada por Maximiano José Lopes e publicada em Pelotas no ano de 1859, com 254 páginas.

*FOLHINHA DO ANNO BISSEXTO DE 1840 PARA A REPÚBLICA DO RIO GRANDE.   Cassapava, Typographia Republicana Rio Grandense, 22p.  
Um exemplar dessa Folhinha esteve na Exposição de História do Brasil de 1881, cedida pela Sra. D. Antonia R. de Carvalho, como consta no catálogo publicado pelos Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, vol IX, p. 343, 1881-1882.

*FOLHINHA RIO-GRANDENSE PARA O ANO DE 1857.  Organizada por Carlos Jansen, Porto Alegre, 1867, 248 p.  Foi publicada também para os anos de 1858 e 1859. 

*INDICADOR LITTERÁRIO E COMMERCIAL.  Editado pelo jornal " Correio da Noite" de Pelotas.  Saiu uma única edição em 1886.

*INGNATIUS KALENDER – Publicado em Porto Alegre.

*IZA KALENDER.  Almanaque do Laboratório Kraemer, de Paulo Kraemer & Filho, Porto Alegre. 
Edições em alemão e português.

*JAHRBUCH DER FAMILIE DER NEUE IGNATIUS KALENDER. Porto Alegre.

*KALENDER FÜR DIE DEUTSCHEN IN BRASILIEN (Rotermundkalender) - (Calendário para os alemães no Brasil) – Publicado em São Leopoldo:Druck und Verlag von  Wilhelm Rotermund,  de 1881-1918 e 1920-1941. Todos os exemplares são encadernados com capa cartonada original (capa dura) e com mais de 200 páginas cada.
Wilhelm Rotermund - 1843-1925

Wilhelm Rotermund - Nasceu em Hannover, Alemanha, em 25 de novembro de 1843 e faleceu em São Leopoldo em 5 de abril de 1925.  Diplomado em Teologia pela Universidade de Jena. Veio para São Leopoldo em 1874 como pastor, onde passou a dirigir a Comunidade Evangélica.  Fundou a Livraria e Tipografia Rotermund, em São Leopoldo, no ano de 1877.  Fundou o 2º Sínodo Riograndense, em 1886, para propagar a religião evangélica. É grande a sua produção jornalística e de obras didáticas impressas em sua tipografia.  Publicou artigos em vários jornais de São Leopoldo, como o Der Bote e o Deutsche Post.  São muitas as biografias do Dr. Wilhelm Rotermund, destacando-se as do padre jesuíta Theodor Amstad e a de Erich Fausel.


*KALENDER FÜR DIE DEUTSCHEN EVANGELISCHEN GEMEINDEN IN BRASILIEN.  São Leopoldo: Druck und Verlag.

*KALENDER (JAHRWEISER) FÜR DIE DEUTSCHEN EVANGELISCHEN GEMEINDEN IN SÜDAMERIKA.  Porto  Alegre: Typographia Mercantil, rua Dr. Flores, 76.
É o almanaque do Sínodo Riograndense de Wilhelm Rotermund.  O Museu Histórico Visconde de São Leopoldo possui todos os exemplares dos anos de 1922 até 1941.






*KOSERITZ DEUTSCHER VOLKSKALENDER FÜR DIE PROVINZ RIO GRANDE DO SUL.(Almanaque popular  alemão do Koseritz para a Província Rio Grande do Sul) – Editado em Porto Alegre: Krahe & Cia.,  por Carlos von Koseritz e circulou de 1874 a 1918 e de 1921 a 1938.
Consultamos os 15 volumes, publicados entre 1876 e 1900, pertencentes ao Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, cujo título de todos os exemplares é KOSERITZ DEUTESCHER VOLKSKALENDER FÜR BRASILIEN, publicados por Gundlach & Comp. ou Gundlach & Becker.



Karl von Koseritz - 1830-1890

Karl von Koseritz nasceu em Dessau, Alemanha, em 7 de junho de 1830 e faleceu em Porto Alegre a 30 de maio de 1890. Foi jornalista, político e escritor. Trabalhou em diversos jornais do interior e da capital gaúcha até fundar em Porto Alegre o seu próprio jornal,  o Koseritz Deutsche Zeitung. Sua bibliografia é extensa, publicada em livros e em periódicos diversos, nos idiomas alemão e português, como pode ser consultado no livro Escritores do Rio Grande do Sul, de Ari Martins, 1978, p. 294-295.


*LA LIGURIA. Calendario italiano per le famiglie per l'anno 1886, compilato specialmente per la colonia italiana della provincia del Rio Grande del Sud.  Porto Alegre, 1885.
Provavelmente este foi o  único número publicado deste raríssimo almanaque italiano.

*LAR CRISTÃO – Anuário editado pela Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Porto Alegre. Impresso pela Casa Publicadora Concórdia, em português, desde 1938.

*LIVRO DA FAMÍLIA – Anuário publicado em Porto Alegre pela Livraria Editora Padre Reus.  Publicado também  em alemão.

*LUTHER-KALENDER - Porto Alegre:Casa Publicadora Concórdia, Estrada do Forte, 586.
Desde 1925 é editado este almanaque em língua alemã, que teve sua edição interrompida nos anos da Segunda Guerra Mundial.


*LUTHER-KALENDER FÜR SÜDAMERIKA – Porto Alegre:Casa Publicadora Concórdia, rua São Pedro, 639.


*MUSTERREITER'S NEUER HISTORISCHER KALENDER. Publicado em Porto Alegre desde 1885 por Druck und Verlag von Cäsar Reinhardt.
Com muita propaganda de empresas alemãs do comércio e indústria de Porto Alegre: Ernesto Neugebauer; Dressler & Henkel; Rudolf Wiesbauer; Meyer Irmãos & Cia.; H. Theo Möller; Bromberg & Cia.; entre outras. Textos literários - poesias, contos, trechos de romances de autores alemães; ilustrações, caricaturas e fotografias. A capa de todas as edições é sempre a mesma: um homem montado a cavalo  segurando uma folha de papel onde está escrito o ano do almanaque. Consultei todas as edições dos anos de 1909 até 1918.


*RIOGRANDENSER MARIEN-KALENDER -   Porto Alegre: Livraria Selbach. Traz na capa sempre uma imagem de Nossa Senhora. Textos religiosos, históricos e literários destinados às comunidades alemãs do Rio Grande do Sul. 

*SERRA-POST KALENDER: BRASILIANISCHES JHARBUCH.  Publicado em Ijuí, RS, pela Casa Editora Ulrich Löw.  Lançado em 1922 pelo Correio Serrano (Die Serra-Post), o jornal que iniciou suas atividades em 12.5.1911. Dirigido por Robert Löw, em Ijuí, RS. Com artigos sobre a imigração alemã, circulou no sul do Brasil e no exterior. O almanaque foi extinto em 1978. Edições também em português.  Ver Almanaque do Correio Serrano.





*VOLKS KALENDER. De Reinaldo Ludwig e Irmãos, Porto Alegre.  A primeira edição saiu em 1917.  Com notícias da Alemanha, fotografias de personalidades alemãs e da guerra européia. 

quarta-feira, 25 de junho de 2014



CLARINDA DA COSTA SIQUEIRA (1818-1867)

Toda cópia de qualquer texto ou imagem de meus  blogs solicitar autorização expressa através do email - darisimi@gmail.com. LEI Nº 9.610 de Fevereiro de 1998, que regulamenta os direitos autorais.
Série: Poetas do Passado Rio-Grandense

Poetisa. Natural de Rio Grande, RS, onde nasceu a 26 de dezembro de 1818 e faleceu na mesma cidade em 27 de outubro de 1867.
Pouco se sabe sobre a biografia de Clarinda da Costa Siqueira. Seu único  livro, póstumo,  “Poesias”, (Pelotas, Livraria Americana, 1881). Contem, além das poesias da autora, uma  necrologia escrita por Antônio  Joaquim Caetano da Silva Junior e uma homenagem à autora, escrita por Carlos von Koseritz.  Fazem referência ao livro Guilhermino Cesar, Sacramento Blake, Mário Osório Magalhães e Rita Scmidt.
Clarinda foi engeitada por sua mãe e criada por Leonarda Joaquina  dos Passos e Maria das Dores Passos. Casou-se, aos 17 anos, com José da Costa Siqueira. No mesmo dia do casamento Clarinda caiu enferma gravemente, declara em sua necrologia Antônio Joaquim.  Também Koseritz refere-se à doença da poetisa, e nada mais se sabe sobre o assunto.
Nota – Colimério Leite de Faria Pinto escreveu – Traços biográficos de Clarinda da Costa Siqueira.  (ver Guilhermino Cesar, Hist. da Literatura do RS, p.311)
Bibliografia
BLAKE, Augusto Victorino Alves do Sacramento. Dicionário bibliographico brasileiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1900. Reimpressão fac-símile, 1970.
CÉSAR, Guilhermino. História da literatura do Rio Grande do Sul. (1773 – 1902). Porto Alegre: Globo, [s.d.]
MAGALHÃES, Mário Osório. Opulência e cultura na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul: um estudo sobre a história de Pelotas (1860-1890). Pelotas: EDUFPel, 1993.
MUZART, Zahide Lupinacci. Escritoras brasileiras do século XIX. Florianópolis: Mulheres, 2000.
Referências
*Cartas de Liberdade (Internet,  em PDF)
*Jornal Eco do Sul, 30 de outubro de 1857, nº 247, ano 13
*Jornal O Comercial, 27 de novembro de 1867, nº 273, ano 11


Propaganda do único livro publicado por Clarinda:  POESIAS - Pelotas:Liv. Americana, 1881
Grande parte de suas poesias encontram-se ainda esparsas em jornais e almanaques do século XIX.

A UM ATOR
Se a virtude não guia um gênio raro,
O vício ofusca do talento o brilho.
A virtude, unida ao gênio, o gênio eleva,
O vício, unido ao gênio, avilta e mata.
(Frederico Ernesto Estrella de Villeroy. Selecta Nacional ou trechos escolhidos de diversos autores nacionaes.  Pelotas:Livraria Americana, 1883, p.262.


SONETO 
Tristes sombras da noite, eu vos desejo!
Só no centro do vosso abismo escuro
É que acharei descanso o mais seguro.
É ele o único alivio que eu elejo.

Adiantar-me para vós é o que almejo;
Meditando em minha vida horas aturo,
Como um ente desgraçado me afiguro!
Só na morte é que o meu descanso vejo.

Porém não, cruel desgraça, não, não pares,
Podes ainda empregar a tirania
Nos mortais restos que de mim achares;
Podes ainda ultrajar-me a cinza fria,

Calcando-a bem aos pés, e então clamares:
<< Em tua vida assim eu te trazia! >>

 Feito de improviso, aos 14 anos de idade, em um jardim.
 (Do livro  de Clarinda - "Poesias", Pelotas:Livraria Americana, 1881.)


domingo, 25 de maio de 2014

  
PADRE PEDRO LUIS BOTTARI (1905-1983)

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Série: Poetas do Passado Rio-Grandense

Foto extraída da revista Rainha
Natural de Vale Vêneto, Quarta Colônia,  à época pertencente ao Município de Santa Maria, RS, onde nasceu  a 29 de julho de 1905 e faleceu em Bagé, RS,  a 23 de agosto de 1983.  Sacerdote Palotino, poeta e jornalista. Foi pároco em Porto Alegre, Santa Maria, Canoas, Cruz Alta e Bagé.  Destacou-se por suas obras em homenagem à Virgem Maria, Mãe de Deus, iniciando pela Gruta de Lourdes, em Vale Vêneto, sua terra natal, e o monumento de Fátima, em Cruz Alta, duas obras por ele idealizadas e realizadas e hoje convertidas em dois lugares de romaria. Em 1972, Pe. Pedro Luis deu início em Bagé, a Rainha da Fronteira,  um monumento com o objetivo de construir logo um santuário  a Nossa Senhora Conquistadora, por considerá-la “a padroeira nata do Estado do Rio Grande do Sul”, já que foi ela a primeira santa que aqui se arrinconou.   

Foto extraída da revista Rainha, feita por Dari José Simi
A Imagem da Conquistadora foi  trazida pelo Pe. Roque Gonzales de Santa Cruz, o primeiro jesuíta a pisar terras do Rio Grande e aqui celebrar a primeira missa na Redução de São Nicolau, por ele fundada a 3 de maio de 1626, e a levou consigo em uma canoa, num percurso de 50 léguas pelo Rio Ibicuí e lhe pôs aquele nome porque convertia e conquistava os índios.

Padre Pedro Luis publicou artigos sobre assuntos religiosos com o pseudônimo de Aimone Sarmento,  em jornais católicos. Publicou “Crônicas do Paraná”, coluna periódica no Correio do Povo de Porto Alegre, a partir de 1962. Um nome bem conhecido nos meios literários sul-rio-grandenses por seus versos de uma inspiração condoreira e de uma perfeição parnasiana. Como poeta regionalista se destacou, juntamente com outros sacerdotes – Padre Paulo Aripe (Potrilho do Alegrete); Padre Fredolin Brauner;  Dom Luiz Felipe de Nadal  - publicando em livros e na imprensa gaúcha seus poemas, contos e crônicas.  Muitos de seus trabalhos ainda jazem em periódicos, distantes do acesso fácil dos leitores.
Foto da capa da 1ª edição, de 1964

Bibliografia do Pe. Pedro Luis Bottari:

Maria Teresinha Wang. Santa Maria:  Palotti;  Mina de ouro. Santa Maria: Palotti;  Modelo de mãe ou vida da Beata Ana Maria Taigi. Santa Maria: Palotti, 1933; Mãe Preta. Poema. Jornal “A Ofensiva”, Rio de Janeiro, 1936;  Catiabá. Poema. “Jornal do Dia”, Porto Alegre, 1949;  Cabiúna. Poemas. Porto Alegre, 1950; O monumento. Poemas. Porto Alegre, 1951; Sonetos do pampa. Santa Maria, 1963; O diamante negro de Canoas ou Tio Bastião Coelho. Biografia. Canoas: Hilgert, 1964. 86p. Duas edições foram publicadas, todas hoje muito raras;  Padre Caetano Pagliuca.   Biografia. In “Revista do IHGSM”, Santa Maria,  n.2, jul. 1964;  Crônica da província. In ”Revista Eclesiástica Brasileira”, Petrópolis, RJ, v.28, fasc.2, jun. 1968; A virgem crioula. Crônica histórica. In “Correio do Povo”, Porto Alegre, 05  jan. 1969;  A face de Deus no Cosmos.  Crônica. In “Correio do Povo”,  Porto Alegre, 22 fev. 1969;  A capital mundial da loucura. In “Correio do Povo”,  Porto Alegre, 04 mar. 1969; Visitei a família do Padre Reus.  In revista “Notícias para os nossos amigos”, Porto Alegre, n.106, jul. 1970; Em Caaró o sangue se fez luz. In revista “Rainha”, Santa Maria, n.667,  nov. 1978; Conquistadora: a madrinha crioula do gaúcho. In  revista “Rainha”, Santa Maria, n.661, maio 1978; O gênio do pampa. Poema cíclico gauchesco. 1ª Ed., Santa Maria: Palotti, 1958.  Desse poema foram publicadas três  edições. É a obra que ainda pode ser encontrada com certa facilidade nos sebos da capital.
Foto da capa da 1ª edição, de 1958

domingo, 11 de maio de 2014





RAUL  SOTERO  DE SOUZA (1892-1972)

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Série:  Poetas do Passado Rio-Grandense

Pesquisa - Dari José Simi

Raul Sotero de Souza - foto da capa do livro Desperta Rio Grande


Há muitos anos ouvi falar de um poeta e trovador repentista que andava pelas emissoras de rádio de Santa Maria, RS, e cidades vizinhas – São Gabriel,Cacequi,Jaguari,  São Vicente, Mata, São Pedro do Sul,  e outras. E que havia escrito um livro de poesias gaúchas. Seu nome: Raul Sotero de Souza. Isto ficou guardado em minha memória. Anos mais tarde li esse nome em um livro sobre o cantor e trovador Gildo de Freitas, que despertou meu interesse em buscar informações sobre o poeta. 
Raul Sotero de Souza foi poeta, gaiteiro e trovador repentista, natural de  São Gabriel, RS, onde nasceu em 1892 e faleceu em Santa Maria, RS, em 1972. Publicou os livros: “Desperta, Rio Grande”, prosa e verso, Santa Maria:Editora Pallotti, 1962, que é a continuação do livro “Inspiração de um gaúcho”, versos regionalistas.
Segundo o Guia do Folclore Gaúcho, de Augusto Meyer, Raul Sotero compôs um ABC sobre pelos de cavalos. Fomos buscar o texto indicado por Augusto Meyer no livro “Dicionário Enciclopédico do Rio Grande do Sul, uma raridade, organizado por Aurelio Porto, onde consta o ABC sobre pelos de cavalos, recolhido pelo historiador Walter Spalding:
“ABC – (populário) – Poesia popular, comum a todo o Brasil, mas muito usada e de modo particular, no Rio Grande do Sul.  No Norte do Brasil seu fim principal é o amor. No Rio Grande do Sul, a vida campeira, a vida heroica, o cavalo, entremeado, as vezes, por sentimentos amorosos. Essas poesias, geralmente quadras setesílabas, tem também o nome de ABECEDÁRIO.  Cada estrofe deve começar por uma letra  do alfabeto. São, no geral, simples canções, outras, cartas a amigos. Cezimbra Jacques em seu “Assuntos do Rio Grande do Sul”, transcreve o “Abecedário da moçada da coxilha”, mas incompleto, somente até a letra O.  Simões Lopes Neto  também transcreve esse tipo de poesia popular em seu “Cancioneiro Guasca.”  São, no geral, poesias mal feitas, como a poesia do povo.   Raul Sotero, poeta popular de São Gabriel, escreveu o seguinte ABC, precedido de uma explicação em verso, para o Sr. Alfredo Faria:
“Senhor Alfredo Faria,
para seu lado vou eu
em busca de um cavalinho
que o senhor me prometeu,
e pelo tempo que faz
decerto já se esqueceu.

E como promessa é dívida
o senhor tenha paciência;
mas peço me desculpar
eu estar com exigência,
pois dizem que Deus ajuda
a quem faz a diligência.

Assim lhe mando estes versos
para não mais esquecer,
que neles também lhe peço
pensar o que vai fazer.
Em prova de gratidão
vou mandar-lhe um ABC.

No ABC que lhe mando,
nas mesmas letras declaro,
em qualquer qüera não ando:
o meu gosto é muito raro.
Mas dos pelos que eu explico,
Aceito, creia, meu caro.

Alazão é pelo lindo !
si eu pudesse merecer
por ser a primeira letra
deste mimoso ABC.

Baio também me agradava,
si vós quizesseis me dar.
Si não tiver por quem mande,
eu mesmo vou lá buscar.

Colorado, gosto muito
por ser um pelo decente;
mesmo rosilho prateado
me deixaria contente.

Doradilho também serve;
é pelo que já gostei.
também num zaino bragado
muita carreira ganhei.

Entrepelado, que lindo
por ser um pelo exquisito;
eu aceitava me rindo
porque sempre achei bonito.

Fazendo os versos que mando,
talvez tenha algum engano:
estava agora pensando
que pode ser um tubiano.

Gateado é pelo bem maula,
mas  não quero pra carreira;
dá pra defender a pátria,
pra salvação da bandeira.

Há ! que saudades que tenho
do meu rosilho tostado !
De rédea, era uma balança !
Cortava por qualquer lado.

Iscuro, me dá saudades
do tempo de minha infância:
era o que mais eu zelava,
era o melhor lá da estância.

Já que trato deste assunto,
desejo sair servido:
mesmo azulejo ou bragado,
não tenho o tempo perdido.

Cavalo branco é azar,
para os dias de trovoada:
como sou muito devoto,
não tenho má fé de nada.

Lubuno na cancha é maula,
mas no rodeio já presta.
Si assim ganhar, me contento:
sete consolo me resta.

Mouro é sempre garantido
num pelado de rodeio.
Também ovêro rosado
é pelo que não odeio.

No que receba estes versos
feitos de tão boa fé,
deveis lembrar que um gaúcho
é triste viver a pé.

Oh ! que saudades que tenho
de um malacara que eu tinha,
das quatro patinhas brancas,
presente de uma madrinha.

Picaço é pelo macaco
de cavalo caborteiro;
mas se ganhar, me contento,
por não me custar dinheiro.

Que estes versos vão cair
nas mãos de muito boa gente,
que um pingo dado de gosto
quem ganha fica contente.

Ruano é pelo de gosto
por ele tenho paixão;
para apartar um rodeio
num dia de marcação.

Salino é pelo mui raro
que só por sorte da gente;
ovêro-chita e bragado
si ganho fico contente.

Tordilho no rio é peixe;
tostado é bom mas não tanto;
pampa de todos os pelos
também me serve, garanto.

Uma história bem escrita
a um homem de educação,
dá pra avaliar os poderes
da força da inclinação.

Vermelho de campo é um raio;
melado é fraco e traiçoeiro;
mas este mesmo eu aceito
por não me custar dinheiro.

Xará, só mesmo um acaso,
ou por ventura no mundo,
somente o pelo é remisso
que não alisa um segundo.

Zaino, vai por despedida,
com ele termino os versos;
que não se esqueça de mim
mais uma vez eu lhe peço.



Há referências ao poeta no livro “Gildo de Freitas” de Juarez Fonseca, Tchê, Comunicações Ltda., 1985, p. 47, o qual veio a cidade de Canoas trazer informações à dona Carminha, esposa de Gildo, que há muito não vinha em casa e nem mandava  notícias. “... eu vim aqui te dizer que era eu que te mandava dinheiro. Fazia os shows do Gildo e sempre tirava um pouco e mandava para ti. Então eu quero te avisar que o Gildo foi embora para outro lugar, e não sei notícias dele. Porisso tu não deves mais contar comigo.”
Raul Sotero participou, como trovador repentista, no “Grande Rodeio Coringa”, famoso programa da Rádio Farroupilha de Porto Alegre, apresentado por Darcy Fagundes e Luiz Menezes, que ia ao ar todos os domingos a noite.  No programa desfilavam outros grandes repentistas – Inácio Cardoso, Teréco Oliveira, Genésio Barreto, Luiz Müller, Portela Delavi, Garoto de Ouro, Preto Limão e Gildo de Freitas.

No festival de música nativista “1º Flete da Canção Gaúcha”, do município de Santa Margarida do Sul, foi criado, em homenagem ao poeta e trovador, o troféu Raul Sotero para a modalidade  melhor intérprete de música do festival.



Décima escrita por Raul Sotero (?)

Segundo Jorge Telles de Oliveira, em seu blog, diz: “Sobre o finado Talco (Tarquino Cardoso), fui vizinho em Rosário do Sul de uma  irmã dele, que também já faleceu, a amiga Geni, que foi quem me deu a décima em que não aparece o autor mas, segundo o estilo da lavra ela é imputada, isto sem confirmação oficial, ao famoso versejador e poeta Raul Sotero de Sousa, natural do município de Lavras do Sul.”