sábado, 29 de junho de 2013



IRENO MACHADO (1930-1972)

Pesquisa: Dari José Simi  


Toda cópia de qualquer texto ou imagem de meus  blogs solicitar autorização através do email - darisimi@gmail.com. LEI Nº 9.610 de Fevereiro de 1998, que regulamenta os direitos autorais.



Músico, acordeonista e cantor, natural da localidade de Rincão dos Alves, 4º distrito de Jaguari, RS, onde nasceu a 30 de dezembro de 1930 e faleceu no Rio de Janeiro em fevereiro  de 1972. Filho de Marcírio Alves Machado de Oliveira (1881-1964) e de Virginia Tanchella Simi (1885-1939). Era o filho mais novo de uma família de 10 irmãos. Não era o único músico da família, porém, o que foi mais longe.  Seus irmãos  João Simi de Oliveira (o Joanete – 1911-2003);  Antonio Machado de Oliveira (1918-1985) e Zeferino Machado (o Neno -1922), também foram gaiteiros dos bons e abrilhantavam  os bailes da região com suas gaitas de botão.
“O surgimento de talentos em artes, móveis, construção de artefatos deu destaque à localidade. Os músicos, os grupos de danças gauchescas, os trovadores, declamadores, os instrumentistas de gaita (ponto e piano), violão, bandonion projetou Rincão dos Alves no cenário regional. A arte musical iniciava com o aprendizado do manejo da gaita ponto, seguida da pianada (teclado) das marcas Somenzi, Todeschini, etc.  Na cidade havia uma família Machado, sem qualquer parentesco com os Machado de Rincão dos Alves, cuja arte ia sendo passada  de pai para filho. O velho Machado (avô paterno de Ireno, João Alves Machado, 1859-1944) tinha os filhos Quim, Jurandir, José e outros que, já desde meninos saíam  dedilhando os botões ou o teclado da chorono. A arte vinha de berço – já nasciam tocando.  De certa forma estes músicos, mais outros de expressão nacional como Mario Zan, (exímio acordeonista), depois os Irmãos Bertussi, inspiraram pessoas do Rincão dos Alves a seguirem a arte musical. Para alguns, esta arte não só era diversão como também fonte de renda da família pois executavam suas músicas em bailes e festas de  casamento, aniversário e outros eventos festivos.
Os filhos de Marcírio Machado e Virgínia Simi, entre eles Antonio, Zeferino João (Joanete) e Ireno se tornaram gaiteiros, Antonio, Zeferino e Joanete tocavam em bailes da redondeza. Já  Ireno seguiu profissionalmente a carreira de artista, dominando o acordeom e se apresentando em rádios e em shows no interior do Rio Grande e fora dele.” (Hermes Bressan)

Ireno tornou-se conhecido  do público gaúcho graças ao seu variado repertório, que falava das coisas dos pagos riograndense. Iniciou sua carreira artística em 1955 na Rádio Imembuí de Santa Maria. Devido ao sucesso alcançado logo transferiu-se para as rádios Farroupilha e Gaúcha, em Porto Alegre.  Daí para as emissoras Belgrano (Buenos Aires) e Nacional (Montevideo). Depois de muitas andanças pelo Uruguai, Argentina, Rio Grande do Sul e São Paulo com grande sucesso, não foi difícil cativar a simpatia do povo carioca. No Rio de Janeiro viveu seus últimos dias, quando um derrame cerebral (AVC) calou sua maravilhosa voz para sempre.


Neno (Zeferino Machado) - gaiteiro, irmão de Ireno


Fotos do livro "Rincão dos Alves, raízes e história", 
de Hermes Bressan



IRENO MACHADO E SUA TRAJETÓRIA
“Já desde menino mostrava-se talentoso no manuseio de instrumentos musicais como gaita ponto, violão e pandeiro. Nos bailes, animados por seu irmão Antonio Machado de Oliveira, era o pandeirista.
Mais tarde aprendeu a tocar violão, por conta própria, sem qualquer instrução de terceiros,  porém, depois de aprender melhor recebeu aulas de outros mais experientes.  Não demorou em aprender acordeom, do tipo 8 baixos e pianada – teclado.  Gaita ponto não lhe agradava muito, por isso não se interessou em usá-la.  Deixou para seu irmão João (Joanete).
Tentou formar parceria ou dupla com outros colegas músicos, mas não prosperou. Seguiu sua carreira solo.
Casou muito jovem com Oracy Feliciani, professora municipal, com quem teve dois filhos: Vladimir e Edemir.  Vladimir, aos 5 anos de idade, com a separação de seus pais, foi morar com sua tia Idalina Simi de Oliveira, na cidade de Jaguari, onde ficou até os 16/17 anos, quando saiu para morar com seu pai no Rio de Janeiro.
Já vivendo da profissão de músico, Ireno fazia apresentações ao vivo, vocal e instrumento,  em rádios de Santa Maria, Jaguari, Uruguaiana,  São Francisco de Assis, Livramento, Porto Alegre, etc. Tornou-se um exímio acordeonista que, aliado ao seu vestir elegante e charmoso, encantava as mulheres de todas as idades. Muitas delas, mesmo vivendo em famílias de postura exemplar na sociedade, não conseguiam resistir ao charme e encanto do artista da gaita, deixando-se levar pelo impulso de uma aventura imprevisível.
Para livrar-se do assédio local, foi morar em Porto Alegre, onde, após 2 anos de apresentações, conseguiu gravar um compacto de 8 músicas, todas de sua autoria – voz e instrumental próprio.
Aos 40 anos, passou a morar no Rio de Janeiro, onde conheceu Luzia com quem se casou oficialmente, porém o convívio não foi muito longe, não só devido ao seu envolvimento com o mundo artístico, o que despertava ciúme em sua mulher, mas a presença dos novos integrantes da família (os filhos do Ireno).  Nessa época , seus dois filhos Vladimir e Edemir já moravam no Rio, com alternância no mesmo teto. Passou então a conviver com outra companheira, porém em tetos separados, constituindo-se num relacionamento não muito amistoso, obrigando-o a se envolver em discussões possessivas. Disto resultou na elevação da sua pressão arterial, culminando com um AVC fulminante, tirando-lhe a vida aos 42 anos de idade em fevereiro de 1972.” (texto extraído do livro de Hermes Bressan – Rincão dos Alves: raízes e história: Jaguari – 4º Distrito: resgate da memória dos rinconenses, 1909-2011.)




Disco do acervo de Dari José Simi

LP Gravadora Fontana FTLP 69.027 com as seguintes músicas:
Deixa Disso (Ireno Machado/Wilson Getúlio); Não Chora (Ireno Machado/Dimas Costa);  O Rei e Eu (Ireno Machado);  Moreninha Bem-Querer (Rubens Santos); Triste Despedida (Ireno Machado/Franco Ferreira); Vou Deixar Minha Fronteira (Ireno Machado/Wilson Getúlio); Reconciliação (Ireno Machado); Me Dá Tua Mão (Ireno Machado/Hiran Aquino); Rincão Distante (Tito Neto/Vladimir Machado); Dono da Esperança (Ireno Machado/Hiran Aquino); Faça-me Andorinha (J.B. Gonçalves/Luzia Cezaroni);  Você Chorando (Tito Neto/José Vale).

Foto da capa do compacto duplo do acervo de Dari Simi
Compacto com as seguintes músicas:  Regresso aos Pagos (valsa, na voz de Ireno);  Que Será da Minha Vida (bolero, na voz de Oneri de Oliveira);  Preciso Me Casar (toada campeira, na voz de Ireno); Cavalinho Branco (Fox, na voz de Oneri de Oliveira). Todas as letras e músicas são de autoria de Ireno Machado.




Capa do compacto duplo lançado em 1970 pela CBS
com as seguintes músicas:Última Lembrança (Luiz Menezes);
Abre a porteira Rio Grande (Ireno Machado); Para o amor não há fronteira (Paulinho Pires);
Velha gaita companheira (Paulinho Pires. 



Foto do acervo de Dari Simi
darisimi@gmail.com





Foto encontrada na Internet













sexta-feira, 28 de junho de 2013





LIVROS/LEITURAS


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Inezita Barroso
"A memória cultural de um país é tão necessária  quanto a existência da arte. Quem não registra não é dono."


"O cantor nativo é um porta-voz de seu povo, transmite em suas canções aquilo que o povo simples sente e deseja fazer saltar de sua garganta." (Israel Lopes)

Pára, Pedro! José Mendes - Vida & Obra
"A História não existe simplesmente pelo fato, mas principalmente por seu registro, pois todo o acontecimento, por mais importante que seja, se o mesmo não for registrado acaba no esquecimento, chegando a desaparecer." (Ajadil Costa)




"A pajada brasileira é uma manifestação eminentemente gaúcha do Rio Grande do Sul." (Paulo de Freitas Mendonça)