quinta-feira, 21 de novembro de 2013

JOSÉ JOAQUIM DOS SANTOS FERREIRA
                  

Pesquisa:  Dari José Simi

Toda cópia de qualquer texto ou imagem de meus  blogs solicitar autoriza através do email - darisimi@gmail.com. LEI Nº 9.610 de Fevereiro de 1998, que regulamenta os direitos autorais.


Imagem - do arquivo de Dari José Simi

José Joaquim dos Santos Ferreira nasceu em Portugal a 12 de setembro de 1801, em Vila de Chaves, província portuguesa de Trás-os-Montes.  Aos 13 anos, desembarcou em Porto Alegre, onde residiu por pouco tempo. Viajou para a Província do Maranhão, onde passou alguns anos exercendo a atividade de caixeiro-viajante. Regressando novamente ao Rio Grande do Sul ajudou a fundar o Banco da Província, em reunião realizada a 6 de abril de 1854, na residência de José Luís Cardoso de Sales, onde estiveram presentes, José Joaquim dos Santos Ferreira,  Antero Henrique da Silveira, José Dias de Souza, José Inocêncio Pereira, José Pedro Alves, Joaquim Mendes Ribeiro, William Macrae, Mac Gahen, José Hebert, Manoel Soares Lisboa e José Domingos dos Santos.  Foi aí deliberado redigir uma exposição acerca dos motivos e vantagens da iniciativa, a ser lida em reunião ulterior, para a qual se convidaria maior número de possíveis interessados.  Coube o encargo de redigir a exposição a José Joaquim dos Santos Ferreira, que dele se desincumbiu.
A 30 de abril de 1854, em assembléia destinada a tornar-se histórica, foi resolvida a fundação do estabelecimento de crédito que viria a ser o Banco da Província do Rio Grande do Sul. O banco só veio a ser fundado oficialmente em 1858.


No ano de 1838, José Joaquim dos Santos Ferreira casou-se com Maria Luiza da Silva Freire e foi através dela que se ligou a Canoas. Maria Luiza era filha de Vicente Ferrer da Silva Freire e Rafaela Pinto Bandeira, proprietários da Fazenda do Gravataí.  Santos Ferreira tomou posse destas terras por direito de herança de sua esposa em 1861. Entre 1861 e 1879, data de sua morte, residiu no Passo do Gravataí, próximo ao Arroio da Brigadeira.  Existem muitos documentos  “assinados” pela Câmara Municipal de Porto Alegre e por Santos Ferreira, o qual explorava “passagens do Passo do Gravataí”, local que dava acesso à Estrada da Aldeia  (Aldeia dos anjos, atual Gravataí).
O casal teve 13 filhos:  Ana dos Santos Ferreira, nascida em 1839, casada com Dr. Justo de Azambuja Rangel;  Josefa Eulália dos Santos Ferreira, nascida em 1840, casada com Augusto Batista Pereira, filho do Barão do Gravataí; Maria Luiza Ferreira, nascida em 1842, casada com José Silveira Neto; Leonor Ferreira, nascida em 1844 e falecida em 1926, casada em primeiras núpcias em 1863 com José de Souza e Silva Filho. Casou em segundas núpcias com Manoel Gomes Ribeiro; Elisa dos Santos Ferreira, nascida em 1845, casada em 1862 com João de Assis Pereira Rocha;  Clara dos Santos Ferreira, nascida em 1846, casada com Boaventura Augusto dos Reis, viúvo de Amélia dos Santos Ferreira;  Amélia dos Santos Ferreira, nascida em 1847 e falecida em 1866, casada com Boaventura Augusto dos Reis, em 1864;  José dos Santos Ferreira, nascido em 1849, casado com Flora de Lima; Álvaro dos Santos Ferreira, nascido em 1854 e falecido em 1864;  Alberto Virgilio Ferreira, nascido em 1855, casado com Dorotéia Davina Chagas; Pedro dos Santos Ferreira, nascido em 1859;  Rafael Pinto Bandeira Ferreira, nascido em 1862 e falecido em 1939, casado com Honorina Úrsula de Souza Feijó, em 1883;  Olavo Plácido Ferreira, nascido em 1864 e falecido em 1940, casado com Maria Thompson dos Reis, nascida em 1873, filha do General José Salustiano dos Reis, herói da Guerra do Paraguai.
Santos Ferreira deixou um diário, onde registrou inúmeros dados importantes para o conhecimento de fatos relativos à sua família.
Uma das principais artérias da cidade de Canoas, a  avenida Santos Ferreira,  recebeu o nome desse ilustre personagem de nossa história, ainda  pouco conhecido dos canoenses.  Tudo começou em 1895, quando a estrada que ligava a Aldeia dos Anjos, antigo nome do município de Gravataí, a Canoas, que na época era o 4º distrito de Gravataí. A estrada foi batizada de Santos Ferreira em homenagem àquele antigo proprietário de terras da Fazenda do Gravataí.  Fazenda cujas terras compreende o atual município de Canoas. A estrada da Aldeia fora antigo caminho de tropas nos primórdios do Rio Grande e em sua margem o tropeiro lagunista  Francisco Pinto Bandeira construiu seu rancho, sede da sua Fazenda do Gravataí, no atual Bairro Estância Velha.

José Joaquim dos Santos Ferreira em capa
da revista Província, uma publicação do extinto
 Banco da Provìncia do Rio Grande do Sul.




domingo, 27 de outubro de 2013



ANTONIO CHIMANGO, POEMETO CAMPESTRE

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Série:  Poetas do Passado Rio-Grandense

Pesquisa:  Dari José Simi
Capa da 1ª edição, 1915
O desenho  é de autoria de Amaro Juvenal ou Ramiro Fortes de Barcellos




Poema satírico publicado em 1915 pelo médico, jornalista e político gaúcho Ramiro Fortes de Barcellos (1851-1916), sob o pseudônimo de Amaro Juvenal.
Antonio Chimango satiriza a figura do poderoso governador do Rio Grande do Sul, Antônio Augusto Borges de Medeiros, representado em gravura  de capa do livreto por uma ave de rapina, o chimango (Milvago chimango). Essa ave habita o sul do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile.
O poemeto campestre, como o chamou seu autor, foi impresso em uma tipografia da cidade de Pelotas (Officina a Vapor no Parque de Pelotas) e distribuído clandestinamente em várias edições.  Hoje contam-se mais de vinte edições da obra que mudou os rumos da história em seu contexto sócio-político de inícios do século XX.
O episódio político que deu origem ao Antonio Chimango teve lugar em 1915, durante o segundo governo de Borges de Medeiros, primo de Ramiro Fortes de Barcellos.


Antonio Augusto Borges de Medeiros

Houve, naquela ocasião, uma dissidência no Partido Republicano Rio-Grandense, do qual Borges de Medeiros era o chefe unipessoal, acumulando essas funções com a presidência do Estado.
Causa da dissidência: a indicação do marechal Hermes da Fonseca, que deixara a presidência da República coberto de aleivosias, para ocupar, no Senado, a vaga então aberta na representação do Rio Grande do Sul.
A indicação fora feita por Pinheiro Machado e logo aceita por Borges de Medeiros.
Houve membros do Partido Republicano Rio-Grandense que não concordaram com essa candidatura, entre os quais Ramiro Barcelos, que também pretendia o cargo de Senador, ocorrendo, então, a dissidência partidária  que, por sua vez, daria lugar ao aparecimento do “Antonio Chimango”.
Para escrever a sua obra imortal, Ramiro Barcellos adotou o estilo literário do “Martin Fierro”, de José Hernández e do “Santos Vega, el payador”, de Hilario Ascasubi, obras consagradas do regionalismo argentino.


















Maria Helena Martins escreve que o poema “mostra um ângulo peculiar do gaúcho e do seu contexto vivencial, através de um espírito crítico, amargo mas humorado, que lhe valeu a caracterização de “poema satírico” ou “sátira política”.  Para o público sul-rio-grandense das primeiras décadas deste século (século XX), seria transparente tratar-se da caricatura de um período político e de seu expoente no governo Borges de Medeiros.”





 “Antonio Chimango é um poema narrativo, composto de cinco  cantos (rondas, para o autor), num total de 1278 versos, dispostos em sextilhas. Cada ronda contém duas partes, apresentando episódios diversificados e mais ou menos independentes, mas cuja inter-relação levará a compreender a obra de modo efetivo. Em cada ronda, a parte inicial gira em torno de paisagem  e do homem da Campanha, em sua lida diária, bem configurada na caracterização da personagem Lautério. E este velho tropeiro cantador se torna elemento de ligação, pois na parte final de cada ronda, é quem relata a trajetória – do obscuro nascimento à conquista do poder – de “um tal Antônio, Chimango por sobrenome”. (Maria Helena Martins – “Agonia do Heroísmo, contexto e trajetória de Antonio Chimango”. Porto Alegre:Editora da UFRGS; L&PM, 1980, p. 31)


Ramiro Fortes de Barcellos
 (Foto do Museu Municipal de Cachoeira do Sul)



























Natural de Cachoeira do Sul, RS, onde nasceu a 23 de agosto de 1851 e faleceu em Porto Alegre a 28 de janeiro de 1916. Era filho de Vicente Loreto de Barcellos e Idalina Pereira Fortes. Médico formado pela Escola de Medicina do Rio de Janeiro;  foi Ministro Plenipotenciário do Brasil na República do Uruguai;  Secretário da Fazenda e   Deputado Provincial do Rio Grande do Sul ; Senador da República pelo Estado do Rio Grande do Sul.
Segundo pesquisas de Guilhermino Cesar nas coleções da Biblioteca Rio-Grandense, da cidade de Rio Grande, "já em 1882, quando fundou com Graciano Alves de Azambuja o jornal O Novo Mundo, de vida efêmera, adotava Ramiro Barcellos o pseudônimo de Amaro Juvenal. Em 6 de janeiro de 1883, no quinto número da mesma folha, publicou o folhetim Único, onde satiriza  a incontinência  do Imperador na concessão de títulos nobiliárquicos.  E no primeiro número de A Federação , que é de 1º de janeiro de 1884, publicou com o mesmo pseudônimo a famosa Carta a D. Isabel. (V. Guilhermino Cesar, O outro Amaro Juvenal, in Suplemento Literário do Diário de Notícias, de 29 de junho de 1958). 
Mais tarde, quando do seu rompimento com o chefe do partido a propósito da candidatura de Hermes da Fonseca, ele mesmo se refere ao Amaro Juvenal que assinava artigos de aguda mordacidade, mas desta vez para comunicar que o adversário terá sua biografia traçada pelo mesmo satirista.  Observa então em artigo publicado no Correio do Povo de agosto de 1915, sob o título Comentários políticos: “Na campanha a que me atirei, na nobre tentativa de salvar por um protesto solene a honorabilidade de nossa terra natal, opus-me à vontade do Sr. Borges de Medeiros, mas não o insultei, não o injuriei, não o enxovalhei, não ataquei a sua honra pessoal. S. Exc.ª, incapaz de defender com argumentos o atentado político a que ligou a sua responsabilidade , vem agredir-me pessoalmente pelas colunas da Federação. Pois terá o troco que merece, na altura de sua agressão. E vai lucrar muito com isso, porque terá a sua biografia política escrita por um contemporâneo desde o tempo da propaganda e que lhe ficou bem conhecido o valor, desde a passagem de um certo telegrama a Julio de Castilhos, logo após o golpe de Estado do Sr. Lucena. Essa biografia, porém será escrita por Amaro Juvenal, porque o assunto dá para tirar conclusões alegres de episódios tristes.” (Amaro Juvenal – Antonio Chimango, poemeto campestre. Porto Alegre:Editora Globo, 1961, p.117).
                                             


                                            
                                                Auto-retrato de Ramiro Barcellos


Capa da 2ª edição, que foi publicada somente em 1923.
A capa conservou-se a mesma da 1ª edição de 1915

O autor de Antonio Chimango















Folha de rosto da edição de 1932
(5ª edição do Antonio Chimango)
com a continuação feita por Juvenal,
o moço (Homero Prates)




A 3ª edição do poemeto foi publicada em Porto Alegre em 1925 por Amaro Juvenal e sem folha de rosto como a 1ª e 2ª edições.
 A edição feita por Arnaldo Melo, 4ª edição do Antonio Chimango, publicada em Santa Maria, sem folha de rosto, traz  no final do poema a seguinte nota: “A continuação desta história o leitor a encontrará no livro A História de D. Chimango, por Homero Prates”.

Capa da 5ª edição, 1932, de Homero Prates












TIO LAUTÉRIO

O narrador do poema Antônio Chimango é o Tio Lautério:

E puxando  o barbicacho
Pondo o chapéu na nuca,
Como quem sente a mutuca,
Levantou-se o tio Lautério,
Mulato velho mui sério,
Cria de dona Maruca.

Foi logo direito aos troços,
Trouxe de lá o instormento,
Ficou pensando um momento,
E, se aprumando direito,
O Lautério abriu o peito
E assim cantou ao relento.

Para les contar a vida
Saco da mala o bandônio,
A vida de um tal Antônio
Chimango – por sobrenome,
Magro como lobisome,
Mesquinho como o demônio.
O outro personagem é o Antônio Chimango, alcunha de Borges de Medeiros, então presidente do Estado do Rio Grande do Sul.
Tio Lautério existiu mesmo, chamava-se Eleutério Faria. Viveu pelas fazendas da família Borges Faria de São Sepé – propriedades de Matheus Faria, Afonso Faria e filhos, de quem Ramiro Barcelos era grande amigo.
Eleutério nasceu em 1854 e faleceu em 1942, em São Sepé, RS, onde sempre viveu. Fora escravo e depois, liberto, como peão de estância. Conheceu como poucos todas as lides campeiras.
Tio Lautério era “mulato mui sério. Cria de Dona Maruca.” Esta era esposa do capitão Afonso Faria e se chamava Maria Joaquina Borges Faria.  Era a mãe de criação de Tio Lautério.

O Lautério era um mulato mui prosa e muito viajou com Ramiro Barcelos, amigo de seus patrões, em suas andanças políticas.  Mais tarde Ramiro Barcelos escreveu  em trovas os versos do Antônio Chimango,  tendo por personagem-narrador o Tio Lautério. Eleutério mereceu tal escolha. Era homem capaz de todas as proezas que o poema narra com um colorido somente comparável às sextilhas de Martin Fierro. (J. Patrocínio Motta. Tio Lautério, o mito e a realidade. Correio do Povo, Caderno de Sábado, 18 e 25 de janeiro de 1969).






























                                                                                        
Folha de rosto da  3ª edição da Editora Globo, 1961

Edição de Artes e Ofícios, 2000
Edição de Martins Livreiro - 1978




EDIÇÕES DO ANTONIO CHIMANGO, DE RAMIRO BARCELLOS

1915 -1ª - Feita por Amaro Juvenal (Ramiro Fortes de Barcellos), publicada em Pelotas, 1915
1923 -2ª - Publicado por Fernando Barreto, do jornal  Última Hora, 1923 com data de 1915.
1925 - 3ª - Traz na capa Livraria Positivista, Editora Rua da Igreja, Porto Alegre, 1925.
1929 - 4ª - De Arnaldo Melo, Correio da Serra, Santa Maria, 1929.
1932 - 5ª -  "Antonio Chimango e sua continuação", Schmidt Editor,RJ, 1932
1946 - 6ª - Da revista Província de São Pedro, nº6, Editora Globo, Porto Alegre, 1946.
1951 - 7ª - Da revista Erechim, do nº 2 em diante, Erechim, RS, 1951.
1952 - 8ª - Da Editora Globo (Coleção Província), Porto Alegre, em 3 edições: 1952/1957/1961.
S/d    -  Edição da revista Horizonte, Porto Alegre.
1965 - Almanaque do Correio do Povo, Porto Alegre, 1965, entre as páginas 242 e 257.
1978  - 21ª edição - Martins Livreiro, Porto Alegre, 1978.
1982 - De Martins Livreiro.
1986 - De Martins Livreiro
1998 - 25ª edição - Martins Livreiro, 1998
1999 - Editora Mercado Aberto
2000 - Da editora Artes & Ofícios, Porto Alegre, 2000.
Em italiano: Com o pseudônimo de "Menego dal Mánega", o  Monsenhor Dr. João Maria Balém traduziu o Antonio Chimango para o dialeto vêneto.

O poema de Ramiro Barcellos provocou várias imitações:

 Waldemar Corrêa  sob o pseudônimo de Dino Desidério publicou "A volta de Antonio Chimango, poemeto gauchesco", 1935;



 Homero Mena Barreto Prates sob o pseudônimo de Juvenal, o moço, publicou Antonio chimango e sua continuação. Rio de Janeiro: Schmidt Editor, 1932. É a 5ª edição, relacionada acima.

Zeca Blau - Trovas da estância do abandono de Da. Brasilia Comarca. Cantadas por Zeca Blau (José Figueiredo Pinto - Tupanciretã, RS, 22.7.1899; Santiago, RS, 6.12.1974). São Pedro, RS: Ed. da Tip. de O Comércio, 1933, 87p.   A 2ª edição saiu pela Editora Grafipel em 1959; 3ª edição, 2013, Editora Pallotti.





OBRAS SOBRE O ANTONIO CHIMANGO  E SEU AUTOR


Mayer, Augusto - Prosa dos pagos. 1ª ed., Rio de Janeiro:Livraria Martins Editora, 1943. Já foram tiradas 4 edições:2ª ed., 1960, Rio de Janeiro:Livraria São José, 1960; 3ª ed., Rio de Janeiro:Presença Edições/INL-MEC, 1980; 4ª ed., Porto Alegre:Instituto Estadual do Livro:Corag, 2002.

Martins, Maria Helena - A agonia do heroísmo, contexto e trajetória de Antonio Chimango. Porto Alegre:Ed. UFRGS; L&PM, 1980, 182p. 
Traz extensa bibliografia sobre Antonio Chimango e seu autor. A maior parte publicada em periódicos.

Medeiros, Pedro Paulo - Para meus netos compreenderem Antonio Chimango. Santa Maria:UFSM, 1985.

Pires, Ary Simões - Um gaúcho sepeense: tio Lautério.  Santa Maria:Palotti, 1957.

Porto Alegre, Aquiles - Homens Ilustres do Rio Grande do Sul. Porto Alegre:Livraria Selbach.

Rabuske, Arthur - O gaúcho Martin Fierro e Antônio Chimango.  Separata da revista "Estudos Leopoldenses", nº 39, São Leopoldo:Instituto Anchietano, 1976.

LP "Antônio Chimango - poemeto campestre". Música de Martin Coplas e texto de Ramiro Fortes de Barcellos. Stereo. Cantares Discos do Brasil, 1982.














sexta-feira, 16 de agosto de 2013


DECINHO E ELAINE

Texto e fotos de Dari Simi
darisimi@gmail.com



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Dupla nativista gaúcha. Decinho  (João Décio Fergutz) nasceu em Venâncio Aires em 19 de fevereiro de 1938 e faleceu em Porto Alegre a 6 de outubro de 2014. Casado com Elaine (Elani Machry) nascida em Venâncio Aires a 26 de novembro de 1940.
Decinho fez dupla  com o gaiteiro Lorico (Lorico e Decinho), Decinho tocava violão. Quando a dupla se desfez, decinho seguiu a carreira solo tocando violão e apresentando-se em diversas localidades e emissoras de rádio. Mais  tarde formou  dupla com sua esposa, surgindo aí Decinho e Elaine.




Lorico e Decinho na Rádio Venâncio Aires ZYU 90


Vilmar Borges Quevedo apresenta Decinho na Rádio Alto Taquari

Decinho foi o primeiro apresentador de programa de auditório de música gaúcha – Bom Dia Rio Grande – da emissora Rádio Venâncio Aires  ZYU 90,  fundada em 1963.



Decinho e sua equipe do programa Bom Dia Rio Grande

O programa ia ao ar todos os domingos pela manhã e tinha grande audiência na região. Decinho trazia para seu programa artistas  locais e outros artistas conhecidos em todo o Estado do  Rio Grande do Sul, como: Teixeirinha, José Mendes, o trovador Luiz Müller, de Canoas,  com quem Decinho trovou muitas vezes.


Luiz Müller, trovador repentista, morou em Canoas, grande amigo de Decinho

Loiva, Anelize e Denize, filhas de Decinho, e o trovador Luiz Müller

Decinho, esposa e filha, com o trovador Luiz Müller

Luiz Müller (2º da direita) com Decinho e familiares

Decinho e Elaine no CCT Rancho Crioulo de Canoas

Os Tahãs (Alcir Claic, Vilmar Rodrigues, Sérgio Foscarini, José  Augusto A. Santos, Rosinei Silva da Costa e Rodrigo Claic),  conjunto nativista de Canoas, apresentava-se com freqüência no programa Bom Dia Rio Grande, da Rádio Venâncio Aires, convidados especiais de Decinho.


Da esquerda - 2ª fila, Rodrigo Claic, Sérgio Foscarini e Alcir Claic.
1ª fila, José Augusto A. Santos, Rosinei Silva da Costa e Vilmar Rodrigues.
LP gravado em 1992




Decinho e Elaine, foto da capa do LP gravado pela dupla


No ano de 1977, Decinho e Elaine resolvem gravar um disco. Pois já eram bastante conhecidos do público amante da música gaúcha. Juntamente com o gaiteiro Adão Ramos, natural de Soledade,  rumaram para Montevideo, onde os custos de uma gravação era menor.  O resultado foi a gravação de um LP que leva o nome da dupla – Decinho e Elaine.
Anos mais tarde Decinho e Elaine mudaram-se para a cidade de Canoas, onde Decinho iniciou a profissão de corretor de imóveis. A música aos poucos foi ficando em segundo plano.  Ainda apresentaram-se em emissoras da capital.
Membro do CCT Rancho Crioulo de Canoas, Decinho chegou a ser patrão interino, em 1990, da entidade, sucedendo o patrão Olavo Nunes, que na ocasião candidatara-se para uma vaga de vereador à Câmara de Vereadores de Canoas.
Com o falecimento de uma filha do casal, a dupla encerrou definitivamente a música.


CD, cópia do LP gravado pela dupla

João Décio Fergutz - 1938-2014

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

JOÃO DE OLIVEIRA


Pesquisa: Dari José Simi



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Músico nativista gaúcho, natural de Canoas, onde nasceu a 12 de agosto de 1948 e onde  mora. Filho de Francisco Gonçalves de Oliveira e de Jovelina da Silva de Oliveira. João é o 2º  de uma família de 4 filhos (Terezinha, João, Pedro e Jorge). Seu pai também era músico, tocador de banjo e cavaquinho. Estabeleceu-se no bairro Mathias Velho, na década de 1950, com um bar e armazem.
João desde pequeno demonstrava vocação para a música e aprendera tudo com seu pai. Fez parte de diversos conjuntos musicais onde tocou cavaquinho, violão e guitarra elétrica. O conjunto que mais tempo permaneceu foi o “Noli e Seus Lunares” (Noli, Zenor, Joãozinho e João de Oliveira). Foram 8 anos tocando todo tipo de música, animando bailes de Canoas e municípios da Grande Porto Alegre.  Eventualmente conseguiam contrato para tocar em clubes do interior do Estado do Rio Grande do Sul. O conjunto gravou um único LP – “Noli Farias, águas passadas”.



 
João de Oliveira, o cavaquinho e seu primeiro conjunto



João de Oliveira e Gildo de Freitas

João de Oliveira orgulha-se de ter acompanhado diversos artistas famosos que passaram por Canoas, nos anos 60/70/80.  Tocou com Gildo de Freitas, Valdik Soriano, Vanderlei Cardoso, Agnaldo Rayol, Adair José, Prateado e Belinho, entre outros.





   João de Oliveira e Valdik Soriano




João de Oliveira e Vanderlei Cardoso



Adair José e João de OLiveira



João de Oliveira cantor e guitarrista



João de Oliveira cantor e guitarrista





João de Oliveira com Agnaldo Rayol e companheiros

sábado, 29 de junho de 2013



IRENO MACHADO (1930-1972)

Pesquisa: Dari José Simi  


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Músico, acordeonista e cantor, natural da localidade de Rincão dos Alves, 4º distrito de Jaguari, RS, onde nasceu a 30 de dezembro de 1930 e faleceu no Rio de Janeiro em fevereiro  de 1972. Filho de Marcírio Alves Machado de Oliveira (1881-1964) e de Virginia Tanchella Simi (1885-1939). Era o filho mais novo de uma família de 10 irmãos. Não era o único músico da família, porém, o que foi mais longe.  Seus irmãos  João Simi de Oliveira (o Joanete – 1911-2003);  Antonio Machado de Oliveira (1918-1985) e Zeferino Machado (o Neno -1922), também foram gaiteiros dos bons e abrilhantavam  os bailes da região com suas gaitas de botão.
“O surgimento de talentos em artes, móveis, construção de artefatos deu destaque à localidade. Os músicos, os grupos de danças gauchescas, os trovadores, declamadores, os instrumentistas de gaita (ponto e piano), violão, bandonion projetou Rincão dos Alves no cenário regional. A arte musical iniciava com o aprendizado do manejo da gaita ponto, seguida da pianada (teclado) das marcas Somenzi, Todeschini, etc.  Na cidade havia uma família Machado, sem qualquer parentesco com os Machado de Rincão dos Alves, cuja arte ia sendo passada  de pai para filho. O velho Machado (avô paterno de Ireno, João Alves Machado, 1859-1944) tinha os filhos Quim, Jurandir, José e outros que, já desde meninos saíam  dedilhando os botões ou o teclado da chorono. A arte vinha de berço – já nasciam tocando.  De certa forma estes músicos, mais outros de expressão nacional como Mario Zan, (exímio acordeonista), depois os Irmãos Bertussi, inspiraram pessoas do Rincão dos Alves a seguirem a arte musical. Para alguns, esta arte não só era diversão como também fonte de renda da família pois executavam suas músicas em bailes e festas de  casamento, aniversário e outros eventos festivos.
Os filhos de Marcírio Machado e Virgínia Simi, entre eles Antonio, Zeferino João (Joanete) e Ireno se tornaram gaiteiros, Antonio, Zeferino e Joanete tocavam em bailes da redondeza. Já  Ireno seguiu profissionalmente a carreira de artista, dominando o acordeom e se apresentando em rádios e em shows no interior do Rio Grande e fora dele.” (Hermes Bressan)

Ireno tornou-se conhecido  do público gaúcho graças ao seu variado repertório, que falava das coisas dos pagos riograndense. Iniciou sua carreira artística em 1955 na Rádio Imembuí de Santa Maria. Devido ao sucesso alcançado logo transferiu-se para as rádios Farroupilha e Gaúcha, em Porto Alegre.  Daí para as emissoras Belgrano (Buenos Aires) e Nacional (Montevideo). Depois de muitas andanças pelo Uruguai, Argentina, Rio Grande do Sul e São Paulo com grande sucesso, não foi difícil cativar a simpatia do povo carioca. No Rio de Janeiro viveu seus últimos dias, quando um derrame cerebral (AVC) calou sua maravilhosa voz para sempre.


Neno (Zeferino Machado) - gaiteiro, irmão de Ireno


Fotos do livro "Rincão dos Alves, raízes e história", 
de Hermes Bressan



IRENO MACHADO E SUA TRAJETÓRIA
“Já desde menino mostrava-se talentoso no manuseio de instrumentos musicais como gaita ponto, violão e pandeiro. Nos bailes, animados por seu irmão Antonio Machado de Oliveira, era o pandeirista.
Mais tarde aprendeu a tocar violão, por conta própria, sem qualquer instrução de terceiros,  porém, depois de aprender melhor recebeu aulas de outros mais experientes.  Não demorou em aprender acordeom, do tipo 8 baixos e pianada – teclado.  Gaita ponto não lhe agradava muito, por isso não se interessou em usá-la.  Deixou para seu irmão João (Joanete).
Tentou formar parceria ou dupla com outros colegas músicos, mas não prosperou. Seguiu sua carreira solo.
Casou muito jovem com Oracy Feliciani, professora municipal, com quem teve dois filhos: Vladimir e Edemir.  Vladimir, aos 5 anos de idade, com a separação de seus pais, foi morar com sua tia Idalina Simi de Oliveira, na cidade de Jaguari, onde ficou até os 16/17 anos, quando saiu para morar com seu pai no Rio de Janeiro.
Já vivendo da profissão de músico, Ireno fazia apresentações ao vivo, vocal e instrumento,  em rádios de Santa Maria, Jaguari, Uruguaiana,  São Francisco de Assis, Livramento, Porto Alegre, etc. Tornou-se um exímio acordeonista que, aliado ao seu vestir elegante e charmoso, encantava as mulheres de todas as idades. Muitas delas, mesmo vivendo em famílias de postura exemplar na sociedade, não conseguiam resistir ao charme e encanto do artista da gaita, deixando-se levar pelo impulso de uma aventura imprevisível.
Para livrar-se do assédio local, foi morar em Porto Alegre, onde, após 2 anos de apresentações, conseguiu gravar um compacto de 8 músicas, todas de sua autoria – voz e instrumental próprio.
Aos 40 anos, passou a morar no Rio de Janeiro, onde conheceu Luzia com quem se casou oficialmente, porém o convívio não foi muito longe, não só devido ao seu envolvimento com o mundo artístico, o que despertava ciúme em sua mulher, mas a presença dos novos integrantes da família (os filhos do Ireno).  Nessa época , seus dois filhos Vladimir e Edemir já moravam no Rio, com alternância no mesmo teto. Passou então a conviver com outra companheira, porém em tetos separados, constituindo-se num relacionamento não muito amistoso, obrigando-o a se envolver em discussões possessivas. Disto resultou na elevação da sua pressão arterial, culminando com um AVC fulminante, tirando-lhe a vida aos 42 anos de idade em fevereiro de 1972.” (texto extraído do livro de Hermes Bressan – Rincão dos Alves: raízes e história: Jaguari – 4º Distrito: resgate da memória dos rinconenses, 1909-2011.)




Disco do acervo de Dari José Simi

LP Gravadora Fontana FTLP 69.027 com as seguintes músicas:
Deixa Disso (Ireno Machado/Wilson Getúlio); Não Chora (Ireno Machado/Dimas Costa);  O Rei e Eu (Ireno Machado);  Moreninha Bem-Querer (Rubens Santos); Triste Despedida (Ireno Machado/Franco Ferreira); Vou Deixar Minha Fronteira (Ireno Machado/Wilson Getúlio); Reconciliação (Ireno Machado); Me Dá Tua Mão (Ireno Machado/Hiran Aquino); Rincão Distante (Tito Neto/Vladimir Machado); Dono da Esperança (Ireno Machado/Hiran Aquino); Faça-me Andorinha (J.B. Gonçalves/Luzia Cezaroni);  Você Chorando (Tito Neto/José Vale).

Foto da capa do compacto duplo do acervo de Dari Simi
Compacto com as seguintes músicas:  Regresso aos Pagos (valsa, na voz de Ireno);  Que Será da Minha Vida (bolero, na voz de Oneri de Oliveira);  Preciso Me Casar (toada campeira, na voz de Ireno); Cavalinho Branco (Fox, na voz de Oneri de Oliveira). Todas as letras e músicas são de autoria de Ireno Machado.




Capa do compacto duplo lançado em 1970 pela CBS
com as seguintes músicas:Última Lembrança (Luiz Menezes);
Abre a porteira Rio Grande (Ireno Machado); Para o amor não há fronteira (Paulinho Pires);
Velha gaita companheira (Paulinho Pires. 



Foto do acervo de Dari Simi
darisimi@gmail.com





Foto encontrada na Internet