terça-feira, 8 de maio de 2018




A CASA  “A ELÉCTRICA” E OS SEUS “DISCOS GAÚCHO”
Pesquisa de Dari José Simi
Temos em nossa coleção de  discos dois muito raros que foram gravados e prensados em Porto Alegre pela 4ª fábrica de discos do mundo e 2ª da América Latina, a Casa “A Eléctrica”, do italiano Savério Leonetti, que funcionou de 1913 até 1924. A loja ficava na Rua dos Andradas, 302, e a fábrica de gravação e prensagem dos discos de rótulo “Disco Gaúcho” e  em 1915 também  o rótulo “Atlanta”, para  gramofones, inaugurada em 1º de agosto  de 1914,  na rua Sergipe, entre os bairros Glória e Teresópolis.  Inicialmente, os discos eram gravados de um lado só, em 78 RPM, anos depois as gravações eram feitas nos dois lados do disco.
Naquela época existia uma fábrica de discos nos Estados Unidos, outra na Alemanha (Odeon Records, 1903) e uma terceira no Rio de Janeiro, a Casa Edison, fundada por Fred Figner em 1900 e a partir de 1902 passou a gravar discos que eram prensados na Alemanha. Em 1912 instalou-se no Rio de Janeiro a fábrica de gravação e prensagem de discos  Odeon  Talking Machine, dirigida por Fred Figner, a primeira fábrica de discos instalada no Brasil, produzindo os discos de rótulo Odeon.
A Argentina e o Uruguai ainda não tinham fábrica de discos, somente estúdios de gravação,  e mandavam prensar seus discos na Alemanha e Estados Unidos.  Com o advento da Primeira Guerra Mundial (1914-1917), isto não foi mais possível.  Passaram, então,  a prensar seus discos na fábrica da Casa A Eléctrica. Os rótulos dos discos do  Uruguaios eram: Atlanta e Artigas. Os rótulos dos discos  Argentinos  eram:  Era, Era Grand Record, Odeon, Victor Record, Atlanta, Pathé, Tele-Phone,  e outros. Todos foram prensados em Porto Alegre.
O primeiro argentino a gravar disco na fábrica de Savério Leonetti em Porto Alegre foi Francisco Canaro, que gravou o primeiro tango registrado em disco no mundo, El Chamuyo, com o rótulo Atlanta.  Outros artistas argentinos, uruguaios e paraguaios, estiveram em Porto Alegre para gravar seus discos-  Roberto Firpo, Augustin Barrios, Octávio Dutra, entre outros.
Foram muitos os grupos musicais, bandas da brigada e do exército, Grupo dos Fanáticos de São Leopoldo, cantores e outros artistas gaúchos que gravaram músicas para os discos da Casa A Eléctrica.
Destacamos aqui  o “Cavaleiro Moysé”, como era chamado Moysés Mondadori (1895-1976), tocador de gaita de botão e funcionário assíduo da fábrica de discos.  Participou da gravação de 57 discos.  Nos anos da década de 70, já com idade avançada, foi descoberto por Paixão Côrtes que fez inúmeras gravações de suas músicas e filmagens. A primeira gravação em disco do Boi Barroso foi feita por Moysé Mondadori em 1914 em um “Disco Gaúcho” da A Eléctrica.  O Boi Barroso do Moysé pode ser ouvido no youtube, pelos interessados.
A história dos “Discos Gaúcho” é longa e muito interessante.  Faz parte dos primeiros momentos da indústria fonográfica mundial e existiu aqui em Porto Alegre. A casa onde funcionou a fábrica de Savério Leonetti ainda existe e está em precárias condições de conservação. Fiz apenas um pequeno  resumo.


Primeiro tango gravado em disco, do mundo. 
Foto tirada do livro de Hardy Vedana

Disco Gaúcho, gravado em 1914. 
Da coleção de Dari Simi

Disco Gaúcho, gravado em 1914. 
Da coleção de Dari simi

Foto tirada da internet

Foto tirada da internet

sábado, 5 de maio de 2018




Museu Julio de Castilhos

Estive visitando, recentemente, o Museu Julio de Castilhos, um dos maiores e mais antigo dos museus históricos do Rio Grande do Sul. Seu acervo é muito grande, porem, somente uma parte está exposta. Abaixo vai um pequeno histórico do museu contando a sua origem, formação e aspectos atuais com algumas fotos que tirei.

O prédio principal do Museu Julio de Castilhos, de número 1231, na rua Duque de Caxias, em Porto Alegre, é um destacado modelo de residência urbana aristocrática do século XIX. Foi construído em 1887, com projeto do coronel de engenheiros Catão Augusto dos Santos Roxo, herói da Guerra do Paraguai, para ser sua residência.

Em 1897 foi aberta uma subscrição entre os membros do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) para adquirir o palacete para morada de seu presidente, Júlio de Castilhos, ex-presidente do estado, que passou a ocupá-lo, com sua esposa Honorina e seus seis filhos, entre 1898 e 1903, data de sua morte.

Após o falecimento da viúva, em 1905, o prédio foi comprado pelo governo do estado, e para lá foi transferido o acervo do museu. Em sua memória foi mantida uma sala, reconstituindo o antigo dormitório do casal e seu gabinete.

Em 1909 a casa foi reformada para adaptá-la às atividades museais. Em 1925 foram construídas duas salas no pavimento superior, e entre 1968 a 1973 realizaram-se obras no telhado, forro, assoalho e nas redes hidráulica e elétrica, sendo reaberto a tempo de comemorar os seus 70 anos.

Em 1980 o governo adquiriu a casa vizinha, número 1205, construída entre 1917 e 1918, a fim de que os espaços expositivos do museu pudessem ser ampliados. As reformas de adaptação terminaram em 1996. A casa anexa foi moradia de outro ex-governante do estado, Borges de Medeiros, seguidor de Julio de Castilhos. No ano seguinte o casarão principal passou por nova restauração no telhado e no forro. Ambos os prédios foram tombados pelo Patrimônio Estadual, em 1982. Outras obras de manutenção da sua estrutura, revitalização dos seus espaços internos e reorganização da museografia foram executadas em 2007.

Houve tentativas anteriores de criar um museu no Rio Grande do Sul. Um deles funcionou junto ao Instituto Histórico e Geográfico da Província de São Pedro (IHGSP), fundado em 1860, extinto em 1863, e que criou um museu em 1862. Além disso um decreto estadual de 17 de dezembro de 1885 previa a criação de um museu estadual, o que aparentemente não ocorreu.

O Museu do Estado foi finalmente criado em 30 de janeiro de 1903, por decreto de Borges de Medeiros, então presidente do estado, como museu antropológico, artístico e histórico, para abrigar objetos que vinham sendo coletados desde 1901 e estavam depositados nos pavilhões construídos para a 1ª Exposição Agropecuária e Industrial do estado, que aconteceu no atual Parque da Redenção.

Seu primeiro diretor foi Francisco Rodolfo Simch, dirigindo até 1925, com um intervalo entre 1919 e 1922, quando assumiu interinamente Hugo Debiasi. Em 1905 o museu foi transferido para a casa de Júlio de Castilhos, e em 1907 renomeado Museu Júlio de Castilhos, quando passa a servir funções celebrativas ao político.

Constituído de quatro seções: zoologia e botânica; mineralogia, geologia e paleontologia; antropologia e etnografia; e a seção de ciências, artes e documentos históricos. O museu permanecia a maior parte do tempo com suas portas fechadas ao público, recebendo somente pesquisadores, fornecendo pareceres técnicos, principalmente à Secretaria de Obras do Estado, ao qual era vinculado.

Até a década de 1920 pode ser enquadrado na categoria de Museu de História Natural. Em 1925 foi desligado do Serviço Geológico e Mineralógico da Secretaria de Obras, passando à tutela da Secretaria do Interior.

Sob a direção de Dante de Laytano, em 1954, os objetivos do museu foram redefinidos, passando a museu histórico, priorizando o folclore e o estudo das tradições. Assim, desvincula-se do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, e desmembra suas coleções de história natural e arte moderna, dando origem ao Museu de Ciências Naturais e ao Museu de Arte do Rio Grande do Sul, criados no mesmo ano.

Em 2004 iniciou um projeto de informatização do catálogo de sua coleção, facilitando o acesso das informações a pesquisadores, público interessado e à própria equipe da casa. Em 2005 a instituição recebeu verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a instalação de um completo sistema de segurança interno, com câmeras de vídeo, monitores e sensores anti-furto.

O acervo do museu é voltado para a preservação e divulgação de materiais de várias épocas e locais importantes para a história do Rio Grande do Sul, democratizando o conhecimento e possibilitando a formação de visões críticas sobre a história local. As mais de dez mil peças, tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), se agrupam em uma ampla variedade de categorias, como iconografia, armaria, documentos, filatelia, heráldica, elementos das culturas indígenas, indumentária, instrumentos musicais, instrumentos de trabalho, máquinas, medalhas, peças de arte missioneira, mobiliário, numismática, objetos decorativos, objetos de uso pessoal, objetos ligados à Revolução Farroupilha e à Guerra do Paraguai, sigilografia, tesserologia, utensílios domésticos e viaturas.











































terça-feira, 1 de maio de 2018





A BATALHA DO PASSO DO ROSÁRIO


Pesquisa de Dari José Simi
O nosso Rio Grande do Sul esteve, em seus primórdios e até inícios do século XX, em constantes lutas pelo domínio do seu território, por questões políticas ou econômicas. Foram muitos os heróis, entre os conhecidos que a história registrou e os que ficaram no anonimato, os que deram a sua vida pela glória de sua pátria. Batalhas infindáveis, graças aos historiadores que as estudaram e publicaram em livros, hoje temos a oportunidade de conhecer e dizer - obrigado rio-grandenses ilustres  - que nos legaram este Estado maravilhoso. Não trago aqui a história da Batalha do Passo do Rosário, apenas uma referência a ela.
No ano de 1816 o exército português/brasileiro invadiu a Banda Oriental (território da atual República Oriental do Uruguai), derrotando  o general José Gervasio Artigas e ocupando-a completamente. Porém, foi só no ano de 1825 que o Império Brasileiro, no governo do Imperador Dom Pedro I, anexou o território da Banda Oriental ao do Brasil, com o nome de Província Cisplatina. A  população espanhola nunca aceitou a dominação. No mesmo ano de 1825 uma assembléia declarou a  Cisplatina independente do Brasil e a anexou às Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina).  O Brasil declarou guerra às Províncias Unidas do Rio da Prata.
Essa história é muito longa, porém, meu propósito, aqui , é dizer que houve uma grande batalha naquele conflito, a Batalha do Passo do Rosário, chamada pelos argentinos de Ituzaingó, ou mais precisamente, falar de um livro que temos em nossa biblioteca sobre a história da Batalha do Passo do Rosário, publicado em 1922, 387 páginas, com muitos mapas e fotos de personagens envolvidos no conflito, escrito pelo General Tasso Fragoso.  Sem dúvida, o melhor livro até hoje escrito sobre aquela batalha, que deu-se em território do Rio Grande do Sul, próximo à cidade de Rosário do Sul, em 20 de fevereiro de 1827.  Não houve vitoriosos, nem foi o fim do conflito entre o Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata (Argentina e Uruguai atuais).
De todo o envolvimento entre Brasil, Banda Oriental e Províncias Unidas do Rio da Prata, resultou que a Banda Oriental  tornou-se uma nação independente, em 1828, pelo Tratado de Montevideo, com o nome de República Oriental do Uruguai.
Capa do livro

Um pouco do autor do livro A Batalha do Passo do Rosário, tirado do : Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001:
  Augusto Tasso Fragoso nasceu em São Luís, Maranhão, em 1869 e faleceu no Rio de Janeiro em  1945.
Militar, ainda jovem travou conhecimento, no Rio de Janeiro, com as idéias positivistas divulgadas por Benjamin Constant e participou da operação militar que instaurou o regime republicano no país em 1889. Eleito, contra a sua vontade, deputado à Assembléia Nacional Constituinte em 1890 pelo Maranhão, renunciou ao mandado sem tomar parte de qualquer sessão parlamentar.
Em novembro de 1891 recusou o convite do presidente Floriano Peixoto para assumir a Prefeitura do Distrito Federal. Aceitou, no entanto, a chefia do Departamento de Obras e Viação Geral daquela prefeitura, exercendo o cargo até o mês de abril do ano seguinte.
Em 1893, participou da repressão à Revolta da Armada, que pretendia derrubar o governo de Floriano Peixoto. Anos depois, em 1908, viajou à Europa como membro do estado-maior do ministro da Guerra Hermes da Fonseca. Em 1914 foi nomeado chefe da Casa Militar pelo presidente Venceslau Brás, permanecendo nessa função até 1917. Nesse período, desempenhou papel importante na implantação do serviço militar obrigatório e na remodelação do Exército.
Em 1918 chegou ao generalato. Foi designado, em 1922, para participar dos inquéritos instaurados pelo governo para apurar responsabilidades sobre o levante do Forte de Copacabana, que deu início às revoltas tenentistas que marcaram aquela década. Em novembro desse mesmo ano, foi designado chefe do Estado-Maior do Exército (EME), onde destacou-se no processo de remodelação do Exército orientada por uma missão militar francesa. Exonerou-se da chefia do EME em 1929 por discordar do alijamento do órgão das decisões relativas à reestruturação do ensino militar no país.
Até então exclusivamente dedicado à sua carreira profissional e distante das lutas políticas, Tasso Fragoso recusou convite para participar da Revolução de 1930. O desenrolar dos fatos favorável aos revolucionários acabou, porém, por fazê-lo aceitar a sugestão do general Mena Barreto que propunha o seu nome para, na condição de oficial da ativa mais antigo do país, assumir o comando da operação militar destinada a afastar o presidente Washington Luís. Em seguida, junto com o próprio general Mena Barreto e com o contra-almirante Isaías de Noronha, fez parte da junta governativa que substituiu o presidente deposto e, após certa relutância, transferiu o poder a Getúlio Vargas, comandante das forças revolucionárias.
Em março de 1931, voltou à chefia do EME. Participou, então, do combate à Revolução Constitucionalista de 1932, mas, por considerar-se alijado das decisões mais importantes dessa campanha, voltou a demitir-se da chefia daquele órgão. Em abril de 1933, foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Militar (STM), função que exerceu até 1938, quando aposentou-se compulsoriamente por limite de idade.
Morreu no Rio de Janeiro, em 1945.


Folha de rosto

Autógrafo de Tasso Fragosos





SARAQUÁ
Nome indígena de um instrumento de plantio usado pelos índios para abrir um pequeno buraco na terra, para logo em seguida plantar alguma semente. O saraquá constituía-se basicamente de uma haste de madeira com uma ponta para furar a terra e depositar-se manualmente as sementes no solo.
Agricultora plantando feijão com o saraquá.
 Foto copiada da internet.
Posteriormente, um novo instrumento mais aperfeiçoado foi adaptado pelos colonos para o trabalho na roça, de modo que além de abrir as covas na terra ele também ganhou um compartimento para colocar as sementes, que automaticamente caem, uma por uma, nas covas recém abertas, graças a um ponto articulado que realiza um movimento como o de uma tesoura.
Plantadeira manual ou matraca com um recipiente para os grãos
Esta ferramenta, saraquá,  também chamada de plantadeira manual “matraca”, foi muito usada por agricultores familiares, principalmente para o plantio de milho e feijão.  Atualmente vem perdendo espaço para tratores agrícolas de produtividade muito superior.

Como funciona: o agricultor bate com a matraca fechada  ligeiramente na terra para cavar um pequeno buraco. Depois de afundar no solo abre-se a máquina para que os grãos caiam no solo e assim sucessivamente.
Plantadeira manual ou matraca 
com dois recipientes para os grãos
Resgatamos, aqui, mais um instrumento já pouco conhecido e que simboliza uma atividade agrícola em desuso, mas simboliza também o resgate de uma forma saudável de vida e de cultivo desenvolvida por nossos ancestrais, e que vem se perdendo com a modernização das novas tecnologias na agricultura.
Matraca, também era chamada de saraquá

terça-feira, 24 de abril de 2018



Paco, o bandoleiro que assolou a serra gaúcha
“O interesse pela vida de Paco ainda não esmoreceu, ao contrário, tem se ampliado, alimentando a curiosidade dos pesquisadores os quais procuram desvendar e analisar a trajetória deste mito que permanece vivo na memória dos habitantes da serra gaúcha. Ele parece que veio de um filme de “Far West”, saltando do pingo empinado.
Herói de capa e espada, de poncho e bacamarte, a sua sombra assola as povoações e as colônias por onde o Rio das Antas rola e rumoreja diante das vertigens verdes das serras, por cujos flancos se alcantilam os parreirais que tremem. Corre uma lenda que prestigia sua figura de caudilho e bandoleiro, intangível pelas balas dos que se defendem dos seus assaltos e pelas autoridades policiais que o procuram prender. A superstição popular o colocou em confabulações diabólicas e lhe deu o dom de intangibilidade, mercê da qual escapa das armadilhas que lhe são armadas.
E ele, que parece ter surgido de um cenário bárbaro, afronta meio mundo, como um ciclone destruidor e leva de vencida os obstáculos que lhe são opostos. Vai, pelas serras a pique, o poncho ao vento, a garrucha na mão, o olhar aceso em chama e sangue, deixando atrás de si a poeira que levanta nas estradas, o murmúrio de lágrimas e queixas, o tumulto de imprecações de revolta, traçando pelas serras a trilha das suas façanhas, escritas a ferro e a fogo”. (texto extraído da introdução do livro de Antônio Jesus Pfeil – O trágico fim do bandido Paco). 

Capa do Livro "O trágico fim do bandido Paco, subsídios para 
um roteiro cinematográfico". Canoas:Bortolini Edições, 1990.




O bandoleiro da serra gaúcha.

Francisco Sanchez Filho, conhecido como Paco, construiu a sua historia na serra do Nordeste do território gaúcho, usando a sua ligeireza no gatilho e a destreza no manejo da faca. Tornou-se um homem respeitado, o classificavam como um “bandido social”. Homem que tinha como norma de vida “roubar dos ricos e dar aos pobres”, mas defendiam os seus interesses pessoais.

São atribuídas a paco mais de 150 mortes, centenas de furtos e milhares de atos que demonstraram a sua preocupação com o bem-estar dos camponeses.
Em mais de duas décadas ele serviu como uma espécie de cabo eleitoral do hábil político Borges de Medeiros. Trazia os colonos de caminhão da roça para cotar nos candidatos borlistas nos plei
Família Sanchez
Desde que pisou no território gaúcho, a historia da família Sanchez foi marcada por fatos fortes. Francisco e Pilar Sanchez, pais de Paco, chegaram e se estabeleceram no interior de Bento Gonçalves cercados de mistérios.
Dona Pilar era uma mulher de sangue nobre que teria fugido para casar com Francisco, um homem trabalhador e rústico. A fama de Paco deixou a historia dos seus pais em segundo plano, Paco e sua esposa, Maria, tiveram dez filhos. Mas falam que ele teve mais de 15 com outras mulheres.
Atualmente, da parte dos descendentes de Paco há uma espécie de trato a respeito da historia dele: querem esquecer. Um de seus filhos inclusive já impediu, via justiça, que fosse realizado um filme sobre a sua vida.
Mas dificilmente terão sucesso em parar as pessoas interessadas em especular a vida de paco. A sua historia real esta correndo risco de se misturar com lendas. Algumas das cavernas de Rio das Antas, onde ele se escondia da Policia, hoje são atrações turísticas. O prédio do Hotel Campagnoli, em Nova Roma onde jogava cartas e se meteu em muitas brigas no inicio do século, ainda existe como Casa da Cultura.
Paco, o bandoleiro: tempos de muitas lutas.
Homem rápido no gatilho e hábil no uso da faca enfrentou-se em tiroteios com a polícia, ajudou políticos a ganharem eleições, duelou com seus inimigos e envolveu-se com belas mulheres. São creditados ele mais de 150 mortes, inúmeros roubos e fugas espetaculares das autoridades.
Foi morto em uma emboscada em 1931, no interior de Veranópolis, com 280 tiros.
Paco foi um herói ou um bandido?
Para os historiadores e contemporâneos da sua época ele foi um sobrevivente daqueles tempos onde tudo era difícil “tempos de lutas”.

Primeira família de Paco
Maria Facchin Sanches depois da morte do marido, nunca mais se casou. Morreu em outubro de 1980, aos oitenta e sete anos.
Ramon, o filho mais velho de paco, trabalhou como agricultor. Casou duas veses e teve quinze filhos. Até morrer, em Passo Fundo, em 1998, aos oitenta e sete anos, sofreu com pesadelos das torturas da policia na adolescência.
José, o segundo filho, reside em Bento Gonçalves. Casou duas vezes tem sete filhos. Aos oitenta e seis anos, mora com a segunda mulher, Lídia.
João, o terceiro filho, trabalhou como caminhoneiro e vendedor de frutas. Morreu em 1997, em Bento Gonçalves, aos oitenta anos. E teve oito filhos.
Carmelina, a quarta filha de Paco, casou-se com um agricultor em Veranópolis, com quem teve nove filhos. Ficou viúva e faleceu em 1996, aos setenta e sete anos.
Angelina, a quinta filha de Paco, tem, tem oitenta anos e reside nas proximidades do local aonde o pai foi morto. Seu marido faleceu em 1995.
Antonina, a sexta filha, hoje mãe de dez filhos, ficou viúva aos trinta e oito anos. Aos setenta e seis anos, reside em Mato Grosso.
Victorio, o sétimo filho, saiu de casa para morar em Rio Pardo. Casou-se aos cinquenta anos e teve dois filhos. Morreu em 1998, aos setenta e dois anos.
Antônio, oitavo filho, trabalhou como pedreiro. Pai de dois filhos morreu de câncer em 1986, aos sessenta anos, em Bento Gonçalves.
Hermínio, o nono filho, morou com a mãe durante vinte e nove anos. Aos setenta e dois anos, reside em Bento Gonçalves, tem cinco filhos e nove netos.
Josephina, a caçula, começou a caminhar quando tinha oito anos, devido a problemas de saúde ocasionando pelas torturas da polícia. Tem setenta anos e reside em Bento Gonçalves.

Segunda família de Paco
Olímpia Frattini, a segunda mulher de Paco, foi morar em Nova Prata depois da morte do marido. Casou-se novamente. Em 1959, abastecia um lampião quando provocou um incêndio, queimando-se gravemente. Faleceu dias depois em um hospital, aos cinquenta e quatro anos.
Luiz, o primeiro filho de Paco com Olímpia, tem setenta e sete anos e dez filhos. Reside em São Luiz Gonzaga, na região das Missões.
Aquiles, o segundo filho, serviu ao Exército e depois trabalhou como caminhoneiro. Faleceu em 1980, de câncer. Deixou quatro filhos.
Arlindo, o caçula tem setenta e dois anos. É casado, tem quatro filhos e reside em Nova Prata. Aposentou-se como caminhoneiro e, de todos descendentes, é o que mais se parece fisicamente com o pai.

Terceira família de Paco
Paco ainda deixou outros três filhos com outra mulher, identificados apenas como Tereza. São os únicos descendentes diretos de Francisco Sanches filho que não assinam o seu sobrenome. Até hoje o paradeiro deles é desconhecido.